Nem voam, nem deixam voar

“Uma gaiola saiu à procura de um pássaro”
(Franz Kafka)

muito foi dito e debatido sobre o novo aeroporto do Montijo. Todos sabemos que Portugal necessita urgentemente – há muitos anos – de um novo aeroporto, todos sabemos que um aeroporto traz desenvolvimento e custos ambientais e todos sabemos que a recuperação económica do país – com o governo PS – não se coaduna com investimentos públicos na ordem dos  7.100.000.000€ que é o custo de Alcochete e corresponde a 12 vezes mais que o investimento inerente à solução Montijo.

Politicamente, temos um governo empenhado em solucionar um problema crónico do país – sobre uma decisão de 2015 (do governo PSD – CDS/PP) – com concordância parlamentar do PS, PSD, CDS-PP, ou seja, 83% do parlamento (que corresponde a cerca de 3.587.514 votos),  e temos os Presidentes das Câmaras da Moita e Seixal como forças de bloqueio ao desenvolvimento (estes eleitos com 10.173 e 21.715 votos, respetivamente).

No concelho do Seixal os dirigentes locais de PS, PSD e CDS/PP emitiram um comunicado conjunto a defender a construção do aeroporto do Montijo, estes partidos juntos, nas autárquicas de 2017, tiveram 27.354 votos, ou seja mais 26% do que a CDU. Deixo à sua consideração a análise sobre a legitimidade política da CDU no bloqueio à solução Montijo.

Ainda sobre a legitimidade política: o PS apresentou no seu programa de Governo a solução do Montijo, e venceu as eleições legislativas em todos os concelhos do distrito de Setúbal, maior legitimidade democrática que esta não existe.

Todos sabemos que a verdadeira razão para as Câmaras comunistas recusarem o aeroporto:  conservar o poder que ainda lhes resta nas autarquias do distrito de Setúbal com a mesma receita de sempre: opor-se a todo e qualquer desenvolvimento.

Se recuarmos a 2010 o partido comunista colocava também areia na turbina para a construção do aeroporto de Alcochete – que agora já defendem a construção – através da Projeto de Resolução 249/XI de 22/07[1]

Se recuarmos 59 anos, foi em 1961 que foi contruído o primeiro troço da autoestrada Lisboa-Porto concluída em 1991, imaginem agora se existissem presidentes de câmara que tivessem direito de veto a esta obra estruturante para o país? Será que já tínhamos a autoestrada?  Ou teríamos de ir via Badajoz para chegar ao norte do país?

É exatamente o mesmo que se passa agora com o aeroporto do Montijo, o veto como política de bloqueio por parte do Partido Comunista significa estagnação, e é um NÃO ao emprego (10.000 novos empregos estimados) e ao desenvolvimento fundamental à região (perca da economia 600 milhões de euros/ano).

O Partido Socialista quer o progresso e tem ambição para o país e para a região, se outros não sabem voar, por favor deixem-nos voar.

[1] https://www.parlamento.pt/ActividadeParlamentar/Paginas/DetalheIniciativa.aspx?BID=35608

ATUALIDADE
Bruno Ribeiro Barata
Autarca do PS Seixal