Câmara de Setúbal pede ao Governo encerramento imediato das escolas

A Câmara Municipal de Setúbal aprovou hoje, por unanimidade, uma proposta de encerramento dos estabelecimentos de ensino, em que também solicita ao Governo que decrete o fecho imediato das escolas para quebrar as cadeias de transmissão da pandemia.

“Esta posição, defendida por todos os vereadores do executivo camarário, surge na sequência das recomendações no mesmo sentido da Comissão Municipal e da Comissão Distrital de Proteção Civil”, disse o vereador da Proteção Civil na Câmara de Setúbal, Carlos Rabaçal.

De acordo com o autarca setubalense, há muitas escolas do concelho que estão com problemas em se organizarem, porque as aulas – devido aos sucessivos casos de infeção de professores, pessoal auxiliar e alunos -, acabam por funcionar de forma intermitente.

“A Escola Secundária Lima de Freitas, por exemplo, já tem 45% dos alunos em casa. Mas há problemas semelhantes em quase todas as escolas”, disse.

Carlos Rabaçal reiterou a urgência do encerramento dos estabelecimentos de ensino e de se estabelecerem regras de confinamento mais rígidas, de forma a “quebrar as cadeias de transmissão, achatar a curva epidemiológica e salvar vidas”.

“Na câmara de Setúbal, vamos manter abertos apenas os serviços essenciais, com equipas reduzidas e em espelho (uns em casa, outros nos locais de trabalho). Aqueles que podem vão ficar em regime de teletrabalho”, sublinhou.

Questionado sobre a situação do Hospital de São Bernardo – que não presta qualquer informação há vários dias -, Carlos Rabaçal disse que aquele hospital de Setúbal já duplicou o espaço que tinha inicialmente disponível para `doentes covid´ e que a morgue também já está sem capacidade de resposta.

O autarca setubalense garantiu ainda que a Câmara Municipal tem ajudado o Hospital de São Bernardo de todas as maneiras possíveis e que até poderia instalar, de imediato, um hospital de campanha no Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP).

Carlos Rabaçal reconheceu, no entanto, que não adianta avançar com essa solução, porque “não há pessoal médico disponível”.

O vereador da Proteção Civil na câmara revelou ainda que já foi constituída uma equipa de 50 pessoas – incluindo dez funcionários da Câmara Municipal -, que já recebeu formação e já está a ajudar os profissionais de saúde a identificar as cadeias de transmissão da pandemia.

Esta equipa trabalha sob a coordenação do Agrupamento dos Centros de Saúde da Arrábida (ACES Arrábida).