Ana Abrunhosa está hoje sob escrutínio na conferência da AISET, a península espera resposta sobre NUTS

Conferência que tem lugar hoje deve clarificar posição do Estado. Há prejuízos de quatro mil milhões de euros a que se podem juntar mais dois mil milhões.

Os representantes das forças económicas e sociais da península de Setúbal esperam que o Governo informe, esta sexta-feira, no decurso da conferência que se realiza no Instituto Politécnico de Setúbal, sobre as diligências efetuadas para que a região volte a ser contemplada com a NUTS III e seja incluída na NUTS II, de modo a ter acesso aos fundos comunitários que, atualmente, não lhe são atribuídos em virtude de se encontrar integrada na Área Metropolitana de Lisboa (AML).

“Temos grandes expetativas sobre quando e como irá o Governo português atuar para resolver este problema muito urgente”, disse ao Semmais o diretor geral da Associação das Indústrias da Península de Setúbal (AISET), Nuno Maia. Na conferência estão confirmadas a presença dos ministros da Coesão e do Planeamento, respetivamente Ana Abrunhosa e Nelson Sousa, para além da comissária europeia da Coesão e Reformas, Elisa Ferreira, autarcas e empresários de todo o distrito.

 

Quatro mil milhões de perda e ameaça de desemprego

“A península de Setúbal já perdeu, desde 2013, quatro mil milhões de euros de fundos comunitários e, caso o Governo não atue rapidamente, irá perder mais dois mil milhões. Para além dos projetos que não são concretizados e da riqueza que não é gerada, esta dificuldade no acesso aos fundos contribui também para aumentar o desemprego”, explicitou Nuno Maia.

O diretor geral da AISET disse ainda que, “até ao momento ainda não se compreendeu qual a posição do Governo em relação a este assunto”. “Ainda ninguém viu qualquer intenção de ser tomada uma decisão que acabe com esta situação de injustiça e desigualdade para o setor industrial de Setúbal”, acrescentou.

É o caso da posição defendida terça-feira pela ministra Ana Abrunhosa, que reafirmou a disponibilidade do executivo socialista para “estudar a eventual criação da NUT III” para a península de Setúbal, mas num processo que passe “por uma reflexão ponderando o contexto do processo de regionalização”. “É uma posição dúbia e, a ser desta forma, pode eternizar o processo até 2040”, lamentou ao Semmais Nuno Maia.

Ao estarem incluídos na AML, nove dos 13 concelhos do distrito (todos os que não pertencem ao Alentejo) passaram a ser tidos como locais com um nível de rendimentos muito superior ao real e, em consequência, deixaram de ser contemplados com os fundos a que teriam direito. A esses nove concelhos é atribuído um nível económico comparável a Lisboa, Oeiras ou Cascais.