PS quer autarquias domesticadas

O PS, através do seu Presidente da Federação Distrital de Setúbal, também Secretário de Estado, já anunciou os seus objetivos para as autárquicas deste ano.

Não se trata de uma visão para o território ou de um projeto de desenvolvimento que vise a melhoria das condições de vida, o objetivo do PS no Distrito de Setúbal é ganhar autarquias à CDU para que estas, em defesa das populações, não façam exigências junto do Governo.

A intervenção deste dirigente é clara e não disfarça o incómodo do PS com autarquias que, geridas pela CDU, colocam em primeiro lugar a defesa da região e das populações, seja contestando o atabalhoado processo de transferência de encargos para as autarquias; seja a incapacidade do governo assumir as suas obrigações no território; ou os simulacros de investimentos que o PS é hábil em fazer, mas não em concretizar.

O PS assume que quer vencer as eleições no Distrito apenas para domesticar autarquias, não vão elas continuar a colar cartazes onde informam a população que assumem competências do Governo, cedem terrenos para escolas, centros de saúde ou para as forças de segurança, recuperam património nacional, gerem praias e estradas nacionais, entre outras coisas, e o Governo PS não concretiza os seus compromissos e demite-se das suas responsabilidades. Esta é a preocupação do PS na região.

O que o referido dirigente e o PS pretendem são autarquias domesticadas que, como por exemplo no caso da localização do novo Aeroporto, mudem de posição consoante as ordens do Governo e os interesses dos grupos económicos, passando por cima do interesse nacional, do desenvolvimento da região, da proteção dos valores ambientais, da defesa dos interesses e do bem-estar das populações.

Quando, António Mendes, assume a importância de reconquistar Setúbal, não o faz com um projeto alternativo e credível para o concelho, mas com a necessidade domesticar Setúbal, pois não pode permitir que um município destes continue a demonstrar que o PS e o seu governo remetem este território ao abandono, não concretizam investimentos anunciados e colocam em causa o desenvolvimento da região.

Este é o PS que durante anos esteve em silêncio a propósito das desigualdades intra-metropolitanas e a necessidade da criação de mecanismos de correção de assimetrias, através da distribuição de fundos comunitários e outros, o mesmo PS que, hoje, sobre esta matéria, tem os deputados a dizer uma coisa, a Ministra a dizer outra e o Secretário de Estado a desmentir todos os outros.

Para terminar, pois muito ainda haveria a dizer sobre o tema, a propósito de todas estas coisas, quando é que o Governo PS constrói o Hospital do Seixal e concretiza a ampliação do Hospital de São Bernardo em Setúbal? Por quanto tempo mais será preciso as autarquias geridas pela CDU continuarem a colar cartazes? É que já todos compreendemos que o PS, por si só, não cumpre com os seus compromissos e obrigações para com esta região e as suas populações.

Por isso, é tão importante continuarmos a ter autarquias com capacidade criadora e concretizadora, agentes de transformação dos territórios que promovem o desenvolvimento e o bem-estar, sem nunca deixarem de reivindicar junto dos outros níveis de poder a defesa dos interesses das populações e da região. E essa é a marca das autarquias geridas pela CDU.

João Afonso Luz
Jurista