Época balnear regista apenas uma morte na Costa de Caparica

Equipas de salvamento chegam a custar, mensalmente, cerca de 3.000 euros. Empresários dizem que os salvamentos não podem ser da sua responsabilidade.

A um mês do fecho da época, a Associação de Concessionários da Frente de Praia da Costa de Caparica acusa o Governo e a autarquia de não terem prestado qualquer auxílio relativamente aos salvamentos, antes delegando nos empresários da restauração uma tarefa que, dizem, não lhes compete.

“O Estado e a câmara de Almada estiveram, uma vez mais, totalmente ausentes, não prestando qualquer auxílio na tarefa dos salvamentos marítimos”, sintetizou ao Semmais o secretário da associação, Miguel Inácio.

“É uma situação que não faz qualquer sentido. Os empresários a quem estão atribuídas concessões não podem continuar a ser responsáveis pelo salvamento de vidas, pois não é essa a sua especialização. O que é que eu percebo de salvamentos?”, adiantou o mesmo responsável, afirmando ainda que a solução para o problema, sobretudo do recrutamento e pagamento dos nadadores-salvadores, deveria passar pelo município.

Miguel Inácio diz, por outro lado, que a pandemia levou a que muitos restaurantes fossem obrigados a fechar, perdendo-se a fonte de receitas tida como fundamental para manter nos locais as equipas. “Uma equipa, na frente de praias da Costa de Caparica, custa por mês 2.825 euros e nas praias de São João ronda os 2.500. A esses valores há que juntar a alimentação. É uma despesa muito grande durante quatro meses e que muitos dos concessionários não conseguem suportar. No entanto, apesar de poderem ser multados e impedidos de trabalhar caso não tenham nadadores-salvadores, são obrigados a suportar os encargos que, em boa verdade, são da responsabilidade do Estado. A estas despesas acrescem ainda as da limpeza dos espaços que, numa época de pandemia, são da maior importância”, acrescentou.

O mesmo responsável lembrou ainda que não foi feito qualquer contacto por parte da autarquia para discussão dos futuros contratos. “Os contratos em vigor terminam em 2023 e até agora ainda não houve qualquer resposta aos nossos pedidos de reunião, para que possamos saber o que nos irão pedir e para que possamos dizer que tipo de trabalho poderemos executar. É bom que as pessoas se lembrem que sem concessionários não há nadadores-salvadores e sem estes as praias não podem funcionar”, disse.

No espaço atribuído aos 54 concessionários da Costa não se registou, até ao momento, qualquer afogamento. Miguel Inácio diz que se verificou a morte de um banhista, mas devido a doença súbita.