Trabalhadores da Docapesca de Setúbal podem voltar a paralisar em breve

Greve na quarta-feira para reivindicar aumentos salariais impediu que se fizessem os habituais leilões de pescado na doca de Setúbal. Ministério das Finanças não autoriza melhoria dos ordenados.

A Docapesca de Setúbal, à semelhança das restantes do país, pode vir a paralisar em breve caso seja convocada uma nova greve dos seus trabalhadores, que reclamam aumentam salariais. Embora sem data ainda marcada, o Sindicato dos Trabalhadores da Marinha Mercante, Agências de Viagens, Transitários e Pesca (SIMAMEVIP) colocam a hipótese de realizar novos protestos.

“Ainda não há qualquer decisão tomada nem estão escolhidas datas para uma eventual nova greve dos trabalhadores das lotas. O sindicato irá reunir com os representantes dos funcionários e, só depois disso, se irão adotar novas formas de luta”, disse ao Semmais o coordenador do SIMMEVIP, Paulo Lopes, lembrando que a greve efetuada na quarta-feira teve total adesão em Setúbal, assim como no resto do país.

Em Setúbal, de acordo com o sindicalista, os 13 funcionários ali destacados aderiram na totalidade à paralisação. Tratou-se de uma medida que obstou ao habitual leilão do pescado, mas que, para dar determinação ao cumprimento dos serviços mínimos decretados, permitiu continuar a fazer a distribuição de peixe fresco capturado pelos pescadores artesanais. Já em relação à pesca de arrasto, praticada por navios de maiores dimensões e equipados com frigoríficos, não há registo de eventuais consequências.

 

Trabalhadores querem apenas ver melhorados os salários

Paulo Lopes lembrou que os trabalhadores da Docapesca pretendem, em todo o país, melhorar as suas condições financeiras e não prejudicar o abastecimento de peixe fresco. O acordo para que se procedesse aos aumentos, de quatro a cinco por cento em alguns casos e de dez por cento para os que atualmente auferem o salário mínimo nacional, já teria sido atingido após negociações entre o sindicado e a administração da empresa estatal. No entanto, acrescentou o mesmo responsável, o mesmo acabou por ser inviabilizado pelo Ministério das Finanças.

“As Finanças nunca respondem a ninguém. Não sabemos, portanto, os motivos para que tenham recusado o acordo que já estava conseguido com a Docapesca. Agora, face a esta situação, vamos ter de reunir com todos os trabalhadores e, caso seja esse o desejo deles, marcar novas formas de luta”, adiantou Paulo Lopes. O sindicalista referiu ainda não ter qualquer reação da Docapesca face à decisão ministerial, mas alvitrou que “possivelmente também não ficaram satisfeitos, pois ninguém gosta de não poder desempenhar a sua função”.

A ideia do SIMAMEVIP passa por, ainda este ano, conseguir que os salários mais baixos dentro da Docapesca se cifrem nos 750 euros mensais, de modo a que se diferenciem do salário mínimo nacional. Esse acordo estará acertado com a Docapesca, de quem o nosso jornal não conseguiu obter qualquer declaração, e também com a secretaria de Estado das Pescas e Ministério do Mar. Falta, no entanto, a concordância decisiva do Ministério das Finanças.