Histórias da Rússia e Ucrânia.2

“Nunca se mente tanto como antes das eleições, durante uma guerra, e depois de uma caçada”

– Otto Von Bismark

 

No momento que estou a escrever este artigo, quero acreditar e desejo, que haja cessar-fogo durante as negociações, e a tão desejada paz seja breve.

As (razoáveis) condições de PUTIN para acabar com esta guerra, são:

A) As 4 condições – fáceis de aceitar – pela Ucrânia:

 

condição) Que a Ucrânia seja neutra, não aderindo à NATO. Condição que Zelensky já teve de aceitar.

1991-Na sequência da queda da U.R.S.S., final do Pacto de Varsóvia e da “Guerra Fria”, os EUA prometem à Rússia que a NATO não se expandiria mais para Leste.

Mas a NATO, como se a “Guerra Fria” não tivesse acabado:

1999 – Expande-se para mais 3 países a Leste (República Checa, Hungria, Polónia);

2004 – Mais 7 países: Incluindo Estónia e Letónia (ex-União Soviética e fronteiras com a Rússia). Só que pequenos, e não tão estratégicos como são a Ucrânia e Bielorússia. Putin reclama;

2008 – Como se não bastasse, na Conferência da NATO em Budapeste, pretendem integrar mais 4 países, tendo a ousadia de querer integrar as 2 ex-Soviéticas: Geórgia e Ucrânia. Putin espanta-se  e reclama, mas não é tido em atenção. A Rússia ataca e vence a Geórgia e ganha influência militar em 2 das sua regiões (Abecásia e Ossétia do Sul).

Em sequência, a NATO suspende esta intenção, e “muda a agulha” para as Balcãs.

2014 – O conselho sábio de Kissinger (ex-Secretário de Estado dos EUA) que poderia ter evitado esta deflagração na Ucrânia, considerava que a Ucrânia deve ser sempre uma ponte (Estado-Tampão) entre a Rússia e o resto da Europa, nunca de qualquer uma destas regiões.

Inclusivê recomendou: “a Ucrânia não deve ter permissão para entrar na NATO”.

À data, em defesa do seu parceiro estratégico (Rússia) a China, criticando os EUA, retorquiu:

“os EUA respeitaram a soberania e a integridade do Iraque, quando lançaram um ataque militar a Bagotá, baseado em acusações não comprovadas ? E o Afeganistão quando drones americanos mataram pessoas inocentes em Kabu e outras cidades ?…” 

2021 – Afinal, incompreensivelmente a NATO regressa para se expandir para a Ucrânia. Porquê ?

Será que o Ocidente ainda não percebeu que os Russos não querem de forma alguma reviver: 1812 – A Invasão de Napoleão Bonaparte;

1871-1918 – O Império Alemão ter exercido uma política autoritária para com os Czares do Império Russo, chegando mesmo a invadir Territórios Russos;

1941 – Os ataques de Hitler (atraiçoando Stalin).

Se Putin não fosse agora em defesa da honra dos Russos, possivelmente estes se encarregariam de o destituir.

Será que – infelizmente – o grande negócio das armas, e a necessidade de vender excedentes de gás (mais caro do que o da Rússia) à Europa, justificam esta teimosia da NATO, causa desta Guerra, que cria refugiados, mata e destroe ?

 

condição) Que a Ucrânia fique desmilitarizada;

condição) Que a Ucrânia proteja a língua Russa , para defesa dos Ucranianos pró-russos;

condição) Que a Ucrânia se “desnazifique”, mas que teve logo reação negativa de Zelensky, alegando este que não faria sentido dado que era judeu…Mas escondeu que o seu patrão (na série televisiva “Servos do Povo”) e em 2019 foi fundamental patrocinador (em dinheiro e imagem) da sua candidatura a Presidente da Ucrânia, para Zlensky poder vir a ser Presidente da Ucrânia, foi o também judeu, o oligarca Ucraniano Ihor Kolomoyskyi.

Ihor Kolomoskyi é o 2º mais rico da Ucrânia, tem 3 nacionalidades incluindo onde nasceu – Ucrânia (o que é proibido na Ucrânia). É dono de: um dos maiores bancos Ucranianos e da TV com maior audiência na Ucrânia. Assumido defensor e promotor do não direito à independência de separatistas pró-russos, por sinal é nas regiões com a maioria de separatistas pró-russos (Donetsk e Luhansk) que Ihor Kolomoyskyi explora minérios.

Ihor Kolomoskyi foi julgado em várias instâncias Internacionais, por corrupção e financiar assassinatos. Por sinal, a elevada corrupção na Ucrânia, é considerada a causa para ser o país mais pobre da Europa, apesar das suas excelentes potencialidades;

2004 – Ihor Kolomoyskyi apoia e financia a candidatura do “pai da 1ª Revolução Laranja Ucraniana” este casado com uma Ucraniana nascida nos EUA. e tendo mesmo vivido nos EUA. Acabando por ser eleito 2º Presidente da Ucrânia;

Posteriormente, Ihor Kolomoskyi foi nomeado para um cargo político (o que não é permitido aos oligarcas Russos) que lhe permitiu criar 2 batalhões de milícias com membros da extrema-direita neonazista, nomeadamente os Batalhões: Dnipro-1 e Azov (e preparando jovens Ucranianos) são acusados de violação dos direitos humanos e crimes de guerra.

2014 – Estes grupos foram acusados de se terem infiltrado e morto Ucranianos durante a “Euromaidan” (2ª Revolução Laranja) e obrigando o então Presidente a fugir da Ucrânia. Em resposta, a Rússia procedeu à anexação da Crimeia. Posteriormente, estes grupos têm atacado habitantes Pró-Russos, das regiões que pretendem tornar-se independentes, e que agora Putin reconheceu.

Ihor Kolomoskyi terá enganado um dos oligarcas russos preferidos de Putin, o ainda dono do Chelsea.

Putin descreveu Ihor Kolomoskyi como “bandido único”.

2019 – Ihor Kolomoskyi volta a apoiar e financiar a candidatura a Presidente da Ucrânia, neste caso de Volodymyr Zelensky.

Foi esta personagem que colocou Zelensky no Poder, e residindo na Suiça, deixa destruir o seu povo ?

 

B) As 2 condições – difíceis de aceitar – pela Ucrânia:

condição) Que a Ucrânia reconheça a anexação da Crimeia pela Rússia.

Em 1954, o então PM Russo – mas Ucraniano – Khrushchev, anulou a República Soviética da Crimeia e integrou-a na República Soviética Ucraniana. Mais de 90% são Russos, e em referendos confirmaram inequivocamente, a sua vontade de continuarem Russos. A Base Naval de Sebastopol sempre foi usada pelos Russos, e não pelos Ucranianos. Sendo praticamente nula a possibilidade da Ucrânia conseguir recuperar o que nunca foi verdadeiramente dela;

condição) Que a Ucrânia aceite a Independência  das regiões Pró-Russas: Donetsk e Luhansk (não anexação pela Rússia)

2014 – O acordo de Minsk, que pretendia resolver a guerra civil no leste da Ucrânia, nomeadamente nas regiões de Donetsk e Luhansk, mas nunca cumprido pelas milícias neonazis, criadas e financiadas por Ihor Kolomoskyi, que aí tem interesses mineiros,  e agora levaram Putin a reconhecer a sua pretendida Independência.

Esta 6 condições de Putin, são considerados por especialistas, muito mais pacíficas do que as que pensavam pudesse vir a acontecer, como p.ex.: A Ucrânia ser dividida tendo como fronteira o rio Dnieper, em que a parte oriental fosse anexada à Rússia, ou tornar-se independente. Ou que toda a costa dos Mares: Negro e Azov (para além da já anexada Crimeia, p.ex. Odessa) passasse para a Rússia, isolando asssim a Ucrânia do Mar.

 

Concuindo:

“A Guerra é um lugar onde jovens que não se conhecem e não se odeiam, mas se matam…por causa de decisões de velhos que se conhecem e se odeiam…mas não se matam.”Erich Hartman;

“A guerra terminará e os líderes apertarão as mãos. Ficará aquela velha à espera do seu filho mártir, aquela mulher à espera do seu amado marido, aquelas crianças à espera do seu Pai-herói. Não sei quem vendeu o país, mas vi quem pagou o preço.”  – Mahmoud Darwish.

Caldeira Lucas
Consultor