Companhia de Évora reclama envolvimento na criação de Centro Nacional de Dança

A Companhia de Dança Contemporânea de Évora (CDCE) lamentou hoje a “falta de envolvimento” no projeto para criar o Centro Nacional de Dança na cidade, mas o presidente do município prometeu integrar as associações regionais e locais.

Numa publicação na sua página na rede social Facebook, a CDCE queixou-se de “não ter sido consultada sobre o projeto para criar um Centro Nacional de Dança” na cidade alentejana, no âmbito da escolha de Évora como Capital Europeia da Cultura 2027 (CEC2027).

“Esta falta de envolvimento não pode deixar de causar estranheza”, afirmou a companhia, acrescentando esperar que a sua “relevância”, para a região e para a “própria história da dança portuguesa”, possa “conduzir as entidades responsáveis à revisão desta posição”.

Contactado pela agência Lusa, o autarca de Évora, Carlos Pinto de Sá, considerou esta posição “absolutamente extemporânea”, sustentando que “foi apenas manifestada uma intenção e inserida na candidatura” de Évora a Capital Europeia da Cultura.

“Quer neste setor, quer em todos os outros”, os projetos a desenvolver no âmbito de Évora Capital Europeia da Cultura 2027 “serão abertos e procurarão o envolvimento das associações locais e regionais”, assegurou.

O Centro Nacional de Dança Contemporânea Portuguesa é uma das estruturas projetadas para Évora CEC2027, revelaram à Lusa o presidente do município e a coordenadora da equipa de missão, em dezembro passado.

Segundo disse então a coordenadora da Equipa de Missão Évora 2027, Paula Mota Garcia, este centro tem a mentoria de um conjunto de coreógrafos, que integra Vera Mantero, João dos Santos Martins e João Fiadeiro, entre outros.

Na sua publicação, a CDCE, dirigida pela coreógrafa Nélia Pinheiro, recordou o seu percurso artístico desde a sua criação e até à atualidade e destacou projetos e iniciativas desenvolvidas ao longo dos mais de 30 anos de existência.

A CDCE distribui “programação artística por todo o país, permitindo que, assim, tendo Évora como espaço de residência e criação, os projetos se desenvolvam e tenham visibilidade”, assinalou.

Considerando que o seu percurso e papel “são irrefutáveis e proporcionaram a fruição da dança”, a companhia alentejana frisou que vai continuar “a ser sinónimo de afirmação da dança contemporânea portuguesa na cidade de Évora e no Alentejo”.

Já o presidente da câmara, nas suas declarações à Lusa, insistiu em considerar extemporânea esta posição da CDCE porque “ainda não existe um projeto” para o Centro Nacional de Dança na cidade.

De acordo com Pinto de Sá, a Equipa de Missão Évora 2027 vai agora “retomar os contactos” com o conjunto de coreógrafos que manifestou intenção em criar o projeto para “perceber se tem pés para andar” e, se tiver, “todos serão envolvidos”.

“Esses coreógrafos têm estado a desenvolver a ideia e a câmara informou-os de que, havendo um projeto localizado em Évora, queria envolver as associações ligadas ao setor” na fase de desenvolvimento, acrescentou.

Dispondo de uma dotação financeira de 29 milhões de euros, Évora foi nomeada Capital Europeia da Cultura em 2027, juntamente com Liepaja, na Letónia.