Uma crise há muito anunciada

Uma das instituições sociais mais antigas de Sesimbra, erguida em 1971, está a viver momentos de grande aflição, mesmo à beira do colapso. Isto porque as dificuldades e a má gestão têm andado de mãos dadas gerando uma situação de não retorno.

Durante os últimos anos, de acordo com inúmeros relatos, a crise que se instalou na Casa do Povo de Sesimbra foi sendo mascarada por uma gestão autoritária, isolacionista, incapaz de inverter o rumo da situação, negligenciando a atividade da instituição, resultando na perda de utentes, nomeadamente crianças. Ao mesmo tempo, os prejuízos de contas nunca tornadas públicas foram acumulando.

Estas evidências são do conhecimento público e também de muitas autoridades, também elas incapazes de agir, seja por um certo ‘deixar andar’, seja por não terem tutela ou capacidade de intervir, ao abrigo da legislação em vigor, como é o caso das autarquias do concelho. Acresce, que os associados da Casa do Povo foram abandonando o barco, deixando-o à bolina e nas mãos de forasteiros, sem nenhuma ligação ao município.

Este facto podia não ser um problema, caso estes dirigentes fossem competentes e apresentassem resultados. Mas não, antes pelo contrário. O atual presidente da direção, que gere outras instituições congéneres na cidade de Setúbal, foi alvo de processos de investigação no âmbito da mesma atividade corria o ano de 2018. E ficou tudo na mesma. Claro que a presunção de inocência deve ser tida sempre em conta, e tudo o que for mais que isso é de lamentar. Mas em instituições, mesmo privadas, com massa crítica e com órgãos sociais a funcionar em pleno, em que uns fiscalizam os outros, seria impossível chegar-se a este ponto e este esticar da corda.

É este o denominador deste texto, lembrando o caso Raríssimas, em que, não raramente, algumas figuras pardas se assenhoriam destas casas sociais, geridas com dinheiros públicos, confundindo-se com a própria instituição.

O problema é que agora já nem há tempo de lamber feridas. Que se salve a Casa do Povo de Sesimbra, que se enalteça o trabalho dos laboriosos funcionários que a têm segurado e que se procurem soluções imediatas para os utentes: crianças e idosos.