Montijo está no topo da produção de carne de suíno

Feira Nacional do Porco reúne mais de 240 expositores e deverá atrair mais de 20 mil visitantes a partir de amanhã. A atividade é das mais pujantes economicamente.

A criação de porcos bem como a indústria transformadora da sua carne estão associadas ao Montijo há muitas décadas. A importância desta atividade no concelho representa cerca de 30 por cento da economia local e, por isso, não surpreende que a cidade seja escolhida, a cada dois anos, para acolher a Feira Nacional do Porco, um evento que decorre entre os dias 16 e 18 deste mês e onde se esperam mais de 20 mil visitantes.

Organizado pela Federação Portuguesa das Associações de Suinicultores (SPAS) e pela Câmara Municipal do Montijo, o certame que irá realizar-se no Parque de Exposições da Cidade sob o lema “Desafiar o Futuro com o Sabor da Tradição” deverá reunir cerca de 240 expositores nacionais e também alguns provenientes de países como a Dinamarca, Alemanha, Inglaterra e Espanha. “É um evento que já ultrapassou as fronteiras do concelho e as nacionais e que já tem nome feito no estrangeiro”, diz ao Semmais o presidente da autarquia, Nuno Canta.

“No município existem 43 explorações em funcionamento e um efetivo de cerca de sete mil porcas que parem duas vezes por ano. Aqui estão, também, três das maiores empresas transformadoras, sendo que cada uma emprega mais de 300 pessoas. Associada à criação dos porcos e à sua carne temos ainda uma indústria relacionada com a produção de rações, outra que se liga a todo o tipo de maquinaria utilizada e, naturalmente, a gastronomia. Esta atividade, a par da logística e distribuição e da floricultura, é uma das três mais importantes na economia do concelho”, acrescenta o autarca.

Nuno Canta salienta também o facto de a indústria da produção de suínos ter sobrevivido no concelho mesmo depois de todos os problemas ambientais e também os derivados de doenças. “Hoje existe uma especial preocupação com o tratamento dos efluentes e, felizmente, já são muito poucos os casos de poluição. Por outro lado, com o distanciamento atual entre produtores – alguns estão separados por 20 quilómetros – deixou de haver um risco tão elevado de contaminação nas explorações sempre que é detetado um qualquer surto”, explica.

Por sua vez, o presidente da SPAS, David Neves, realça a internacionalização do certame que faz do Montijo “um concelho emblemático” associado à produção de suínos e transformação da sua carne: “Esta feira tem três vertentes que importa destacar. A primeira tem a ver com a economia, a importância social e empresarial, a segunda está diretamente ligada à gastronomia e a terceira é de carácter lúdico”.

“O Montijo tem, naturalmente, uma grande importância no setor da suinicultura. É o concelho que produz carne para todo o país, com especial incidência para a Grande Lisboa, onde residem cerca de 1,3 milhões de pessoas. Embora não possua os dados relativos à produção no concelho, sempre posso dizer que é dos mais importantes a nível nacional, onde a fileira (criação, produção de rações e transformação da carne) movimenta por ano 2,5 mil milhões de euros, dos quais cerca de 180 milhões são resultado de exportações, sobretudo para a China”, diz o dirigente da SPAS.

O ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, estará presente na inauguração da Feira, onde não só poderão ser apreciadas as novas tecnologias associadas ao setor e explicadas áreas como a genética, a alimentação, o bemmestar animal, a poluição ou a reprodução in vitro, como também haverá possibilidade de conhecer e saborear inúmeras receitas à base da carne de porco. No setor destinado à exibição de animais vivos, os visitantes poderão tomar contacto com três das mais representativas raças de suínos: o Bísaro, o malhado de Alcobaça e o Porco Alentejano.