Texto de Rui Zink questiona o papel e as consequências do 25 de Abril. Peça, com a encenação de Carlos Couto, é interpretada por Célia David, Duarte Victor, Miguel Assis e João Fernandez.
“Simplesmente Abril” do Teatro de Animação de Setúbal (TAS), vai a cena entre os dias 27 e 29 deste mês, no Fórum Luísa Todi, em Setúbal. Além de celebrar os 50 anos do 25 de Abril, o espetáculo teatral integra ainda o programa das comemorações do aniversário da companhia sadina.
A realização desta peça surgiu na sequência do desafio promovido pelo Ministério de Cultura, através da DGArtes, a dez companhias históricas do país para lançarem ou reporem um espetáculo que estivesse relacionado com a Liberdade e com o 25 de Abril. “Decidimos estrear uma peça e desafiar o Rui Zink, com quem já trabalhámos em diversas ocasiões, a fazer um texto. É um escritor extremamente criativo e que nós pensámos que seria capaz de aceitar um desafio destes. E ele pensou: ‘O que é que eu vou escrever em teatro sobre o 25 de Abril?’. E a peça é justamente isso. O que é que o teatro pensa do 25 de Abril?”, explica Duarte Victor, ator e diretor do TAS, em conversa com o Semmais.
Foi a partir desta premissa, num jogo que leva aos bastidores do teatro, que o encenador Carlos Couto preparou a peça, que conta com a interpretação de Célia David, Duarte Victor, Miguel Assis e João Fernandez. “No fundo o espetáculo é uma situação de teatro dentro do teatro. Ou seja, é uma companhia de teatro, como é o TAS, a ensaiar uma peça sobre o 25 de Abril. A partir daí desenvolvem-se temas que podem acontecer em qualquer preparação de espetáculo, como os conflitos, as dificuldades e as dúvidas que as companhias, como nós, têm de resolver”, revela.
Reflexões sobre o papel da revolução dos cravos
O público é então convidado a entrar no mundo de uma companhia de teatro e também a refletir sobre quais foram as consequências da revolução nesta manifestação cultural. “Ao longo dos ensaios vai-se falando do 25 de Abril e da realidade teatral. Do que foi o teatro, do que é o teatro hoje. Do que é a realidade do teatro hoje nas companhias. Como é que as pessoas vivem? Do que é que as pessoas vivem? Como é que sobrevivem? Se há tanta falta de apoio, se o teatro está sempre em crise? Porque é que o teatro está sempre em crise?”, refere Duarte Victor.
Através da escrita de Rui Zink, a peça parte para reflexões mais profundas, sobre o impacto do 25 de Abril no nosso país e nossa sociedade. “O Rui procura aqui brincar também com esta coisa séria que temos sobre o 25 de Abril. Será que isto é, assim, tão sério? Neste texto, ele é uma espécie de malabarista. Levanta questões importantes, como o que é que se passou depois do 25 de Abril, o que é que ainda está por fazer e se houve mesmo uma revolução”, sublinha.






