BE afunda e Joana fica de fora

O Bloco enfrentou domingo uma das noites eleitorais mais difíceis da sua história, com especial impacto no distrito, onde ao cair para 2,66 por cento dos votos deixou Joana Mortágua fora do Parlamento na próxima legislatura.

A perda do mandato pelo círculo de Setúbal ilustra, com clareza brutal, a crise que atravessa o partido que, já em 2024, revelava sinais de desgaste, embora tivesse conseguido manter-se como a quinta força política. Nestas legislativas a quebra foi severa até nos concelhos onde ainda conserva alguma expressão. Mesmo em Alcácer do Sal, o melhor resultado no nosso território, não foi além de 2,62 por cento dos votos.

Vítor Rosa, assessor do BE em Setúbal, não esconde o desalento com os números da noite eleitoral. Classifi ca-os como “uma derrota clara” para um distrito que “votava à esquerda”, agora rendido à ascensão da extrema direita. Aponta a quebra do PS e a vitória expressiva do Chega como sintomas gritantes de uma mudança de fundo no eleitorado local. Para o assessor, “este resultado merece uma refl exão”, sobretudo tendo em conta que o Bloco levou a votos propostas enraizadas na realidade concreta da região, como a habitação e o trabalho por turnos. Ainda assim, essas bandeiras não bastaram para travar a ‘hemorragia’ eleitoral. Entre perplexidade e preocupação, Vitor Rosa interroga-se: “porque terão as pessoas votado no Chega?”.

Apesar do revés, o assessor recusa-se a baixar os braços. Mantém a esperança de que o partido possa regressar aos dias de maior força no distrito e revela sinais de vitalidade interna. Garante que os bloquistas têm vindo a “receber novas adesões” e reforça que “há pessoas ainda a acreditar” que a mudança pode ser alcançada através do voto no Bloco e que as respostas estejam lá. Com os olhos postos nas próximas autárquicas, acredita que o cenário pode ser outro e rejeita a ideia de um distrito politicamente capturado, que poderá diversifi car dos resultados das legislativas.

Com apenas um deputado no Parlamento, o BE perde capacidade de infl uência e visibilidade. O desafi o que se impõe agora é manter uma presença audível num contexto político cada vez mais dominado pela direita e, em Setúbal, tentar reconquistar um dos antigos pilares da esquerda.