Espetáculo, que apresenta uma abordagem teatral e operática, inspira-se na obra da escritora de Vila Meã. Conta com encenação de João Brites e direção musical de Jorge Salgueiro.
O Fórum Luísa Todi, em Setúbal, acolhe a partir desta sexta-feira, com sessões até ao próximo domingo, o espetáculo “Agustinópolis”, criado pelo Teatro O Bando e a Associação Setúbal Voz, com base em excertos da obra da escritora Agustina Bessa-Luís, no âmbito da comemoração do seu centenário.
A peça, que conta com encenação de João Brites e direção musical de Jorge Salgueiro, nasceu fruto de um convite feito a estas estruturas culturais por parte de Mónica Baldaque, filha da autora natural de Vila Meã, no concelho de Amarante. “Depois de O Bando ter aceitado esse repto deixado pela Mónica Baldaque, decidiram convidar a Associação Setúbal Voz para integrar a construção deste espetáculo. Não é algo único, pessoalmente já tinha trabalhado para o grupo cerca de 22 anos, antes de me dedicar à Associação Setúbal Voz em exclusivo. Em 2019 tínhamos feito uma cocriação entre O Bando e a Setúbal Voz. O que nos foi pedido foi que, partindo dessa construção que estava a ser feita a partir de textos da Agustina, participássemos com o nosso Coro e a Companhia de Ópera profissional, incluindo o pianista, para a musicalidade do espetáculo”, explica Jorge Salgueiro, em conversa com o Semmais.
O texto e encenação do espetáculo resultam de um levantamento inicial feito por Maria João Reynaud e João Luiz, dois estudiosos da obra da referida escritora, que foi adaptado à dramaturgia por Miguel Jesus. “Foram selecionadas 96 personagens nesse estudo e o Miguel Jesus, que está na dramaturgia e é diretor de assistência, pegou nesses textos e nessas personagens e livremente construiu uma dramaturgia. Basicamente a peça decorre na construção de uma cidade que vai sendo tomada pela tecnologia e pelos edifícios. As personagens vão demonstrando alguma malvadez e, no fundo, um lado negro da humanidade. Há uma derrocada, mas como tem sempre acontecido na humanidade há depois uma nova forma, numa nova força, um renascimento”, explica o maestro.
Para Jorge Salgueiro, juntamente com o texto e os elementos cénicos, a música desempenha um papel importante e ativo no espectáculo. “A música decorre do princípio ao fim, há partes que são cantadas, mas grande parte do texto é dito. A parte de música eletrónica, com o piano e com o canto lírico, têm significados diferentes nesta peça. Um representa a humanidade, digamos assim, o sonho, a capacidade do homem de transformar o mundo. A outra é mais a parte tecnológica com recurso à inteligência artificial, que irá funcionar sem a intervenção do homem”, sublinha o responsável.



