No cartaz está a inauguração de um mural no Centro Social da Trafaria e ainda trabalhos expostos no Convento dos Capuchos, como “Nossa Terra é Uma Mulher” e “OCO (Ecos do Direito à Ruína)”.
Realiza-se até este domingo a 2.ª edição do Periphera – Festival de Arte Digital da Trafaria que leva a vários pontos daquela localidade do concelho de Almada, mais concretamente ao Convento dos Capuchos, no antigo Presídio e na Sociedade Recreativa Trafariense, uma proposta da reflexão sobre a ligação entre a arte e a tecnologia.
Organizado pela Universidade Nova, em parceria com a autarquia local, o festival apresenta como grande prioridade, além da problemática entre arte e tecnologia, a ligação à comunidade onde está inserido. “Houve muita curiosidade na primeira edição por parte do público, mas gostávamos que tivesse ainda mais impacto local e esta foi uma das coisas que traçamos para este ano. Queremos que as pessoas da Trafaria e das zonas próximas, participem, venham e interajam com os artistas. Estamos a falar de comunidades que se sentem um pouco afastadas, inclusivamente das questões tecnológicas e das manifestações culturais. Queremos provocar essa proximidade o mais possível”, sublinha ao Semmais Nuno Correia, docente na Universidade Nova e membro da organização.
Entre as cerca de duas dezenas de trabalhos expostos e outras tantas atividades, a ligação com a comunidade é visível em “Nossa Terra é Uma Mulher” de Sara Wual Barros, uma instalação nos Capuchos que conta a história da Trafaria e do seu povo através das mulheres; e em “OCO (Ecos do Direito à Ruína), de Susana Santa-Marta, também nos Capuchos, que trata aborda a crise habitacional a partir das demolições forçadas no bairro 2.º torrão. Além disso, o festival inaugura na tarde desta sexta um mural no Centro Social da Trafaria. “É a prova de que queremos deixar marcas permanentes para que as pessoas sintam alguma proximidade com aquilo que está a ser feito. Não é apenas uma coisa abstrata, que está longe, mas sim algo onde podem ver os trabalhos” acrescenta Nuno Correia.
A influência da tecnologia no processo criativo e por consequência na arte é outro dos temas que marcam o evento. No domingo é promovida a performance “SELF-UNCENSORED Resistências à vigilância tecnológica na arte”, seguido de debate com a apresentação de “Manual de Resistência para 2050”, por Ana Borralho & João Galante.
“A tecnologia está presente em todas as áreas e a inteligência artificial é quase inevitável de ser abordada. Na arte, que tradicionalmente depende muito da técnica, conseguimos escrever ou pintar e, agora, com a tecnologia atual e a digitalização a arte parece estar a ser transformada. É sobre isso que vamos também refletir. Como é que existe essa transformação e temos trabalhos que criticam essa intromissão da tecnologia na arte”, sublinha o mesmo docente.



