A associação de engordadores representa dezenas de produtores, os quais possuem metade das 400 mil cabeças existentes.
A Associação Nacional dos Engordadores de Bovinos (ANEB), sediada no Montijo, considera “radical e agressiva” a proposta do PAN (Pessoas-Animais-Natureza) para que sejam aplicadas novas taxas sobre cada quilo de carne vendida. No caso dos bovinos, caso a proposta fosse aprovada, os custos para os consumidores iriam subir 81 cêntimos/quilo.
Num comunicado ontem difundido, o presidente da ANEB, Nuno Lagoa Ramalho, considera que a medida agora sugerida é “irresponsável e socialmente discriminatória”, uma vez que iria surtir efeitos negativos sobre as classes sociais mais desfavorecidas, as quais passariam a ter mais dificuldades financeiras para acederem a produtos que são considerados fontes de proteínas.
A proposta do PAN não se restringe, no entanto, apenas à carne de bovinos (embora esta seja a que enfrenta um maior aumento por quilo). Face aos valores apresentados, e também porque o mesmo partido os justifica como uma forma de melhorar a pegada ecológica, os responsáveis da ANEB dizem que “não estão a ser tomados em conta os impactos ambientais positivos do sector agropecuário na fixação de populações nas zonas rurais e do interior”. Do mesmo modo, refere o mesmo comunicado, não é valorizada a relevância das atividades relacionadas com a engorda de gado no ordenamento do território, na sustentabilidade das terras e no contributo para assegurar a biodiversidade.
Os engordadores de bovinos dizem ainda que, a ser aprovada a proposta, se iriam registar grandes quebras na produção nacional, dando assim azo à entrada no mercado de produtores estrangeiros que, eventualmente, oferecem produtos cujo grau de exigência de qualidade não será melhor do que aquele que é praticado pelos portugueses.
A ANEB tem dezenas de engordadores de bovinos associados, sendo que uma parte deles têm explorações no distrito de Setúbal e o maior número estão instalados no Alto e no Baixo Alentejo. Estes produtores, de acordo com um responsável da instituição, serão responsáveis por cerca de 50 por cento do efetivo nacional de bovinos, o qual está estimado em cerca de 400 mil cabeças.
O Semmais vai regressar ao tema na edição impressa que irá para as bancas no sábado. Nesse número, para além da proposta do PAN sobre a carne de bovinos, serão igualmente divulgadas as que se reportam a ovinos e caprinos, suínos, perus e galináceos.



