Reaberto inquérito contra empresa acusada de poluição no Zambujal

Já está em curso o estudo que irá promover o plano de recuperação. Apesar de haver reclamações de moradores, a câmara garante que nos últimos meses nenhuma queixa foi apresentada nos serviços.

O inquérito judicial que visa responsabilizar a Greenall Life, Lda, que até 2019 fazia a exploração de um aterro de resíduos no Zambujal, Sesimbra, vai ser reaberto depois de a Inspeção Geral de Agricultura, do Mar e do Ordenamento do Território (IGAMAOT) ter requerido uma decisão do Tribunal de Setúbal que ilibava a empresa.

A decisão foi confirmada ao Semmais pelo presidente da câmara de Sesimbra, Francisco Jesus, que adiantou ainda que será a própria IGAMAOT a realizar um estudo que terá como finalidade a recuperação do aterro. “De início o tribunal não tinha aceite a acusação do Ministério Público, que acusava a Greenall de crimes de poluição, tendo ordenado o arquivamento. Posteriormente a própria autarquia quis apresentar recurso, o que veio a ser feito pela IGAMAOT”, afirmou.

Sobre o estudo que irá ser realizado para se aquilatar acerca da viabilidade de recuperar o aterro, o autarca disse que “a adjudicação desse estudo, que custará mais de 90 mil euros, já foi feita pela CCDR (Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional) de Lisboa e Vale do Tejo, pelo que o mesmo até já deve estar em curso e, em breve, poderão existir resultados”.

Francisco Jesus, confrontado com notícias que dão conta de reclamações de diversos moradores na zona do Zambujal, os quais referem a existência de fumos que se libertam da terra e de mais odores, garantiu ao Semmais que, até ao momento, não chegaram ao município novas reclamações. “Não temos quaisquer queixas. O que temos como garantido é que não tem sido efetuado o depósito de quaisquer resíduos. No caso de existirem reclamações, a autarquia, como sempre fez, irá tomar todas as medidas para se inteirar e tentar solucionar eventuais problemas”, acrescentou.

A Greenall, cuja versão não foi, uma vez mais, possível recolher, perdeu a licença de exploração do aterro em 2019, depois de dezenas de acusações de poluição. Essas imputações referiam a deposição de materiais que não apenas os inertes, havendo suspeitas de deposição de metais pesados e até de líquidos que seriam vazados durante a noite a partir de camiões-cisterna.

Atualmente existem relatos de saída de fumos dos terrenos. Esses fumos serão reações de químicos que terão sido depositados a dezenas de metros e que poderão estar a reagir. Alguns populares dizem ainda que o Ribeiro do Cavalo, cuja linha passa próxima do aterro, poderá ser contaminado, assim como a praia com o mesmo nome, a qual é um dos locais de veraneio mais procurado, apesar de não ter vigilância e, portanto, não ser sujeito ao controlo de qualidade da água.