Universidade de Évora desvenda histórias de coleções em dois museus

Um projeto de investigação liderado pela Universidade de Évora quer desvendar as histórias que rodeiam objetos estrangeiros de coleções do Museu Nacional de Arqueologia, em Lisboa, e do Museu Municipal Santos Rocha, na Figueira da Foz, no distrito de Coimbra.

Segundo a Universidade de Évora (UÉ) o projeto designa-se TRANSMAT – Materialidades Transnacionais (1850-1930): reconstituir coleções e conectar histórias.

A iniciativa, coordenada pela investigadora Elisabete Pereira, do Instituto de História Contemporânea (IHC) – polo da UÉ, pretende apresentar a compilação e sistematização de dados académicos sobre a circulação de bens culturais e das suas implicações culturais, sociais e políticas.

Centrado nestes dois museus portugueses, o trabalho pretende desvendar as trajetórias dos objetos estrangeiros e coloniais presentes nestas coleções transnacionais, respondendo a questões sobre como quando e como chegaram a Portugal, trazidos por quem, com que objetivo, entre outras.

“Embora diferindo no seu âmbito, um museu nacional”, o de Arqueologia, “e um museu regional”, o Municipal Santos Rocha, ambas as instituições preservam “nos seus acervos coleções arqueológicas, etnográficas e antropológicas de diversas proveniências”, assinalou a UÉ.

Coleções essas “que exibem atualmente ou exibiram no passado, com o objetivo de educar e instruir sobre outros tempos históricos ou diferentes contextos humanos e geográficos”, acrescentou.

Como exemplo, Elisabete Pereira aludiu ao Museu Nacional de Arqueologia, que, em 1893, tal como acontecia em outros museus europeus, apresentava “arqueologia de comparação”.

“Além das coleções nacionais de arqueologia e etnologia, destinadas a promover o conhecimento da história e identidade nacionais, o museu apresentava uma coleção de objetos estrangeiros”, evocou a academia alentejana.

Estes, continuou, “permitiam constatar a diversidade do mundo” e “entender os testemunhos materiais pré-históricos através dos objetos dos, então designados, ‘selvagens contemporâneos’ ou ‘povos não civilizados da época contemporânea’”.

Já no Museu Municipal Santos Rocha, “criado apenas um ano depois, 1894, existia a mesma tipologia de objetos transnacionais e os mesmos objetivos”, disse a UÉ.

No projeto, Elisabete Pereira pretende “produzir conhecimentos sobre os complexos processos de construção destas coleções comparativas, conhecer os intervenientes e os seus contextos de interferência com o percurso das coleções”.

Os objetivos são também identificar os vários níveis de práticas culturais e científicas, entender os objetos, os seus itinerários e os seus múltiplos significados ao longo do tempo e nos vários espaços por onde circularam.

Além de Elisabete Pereira, a equipa do TRANSMAT envolve outros investigadores do IHC, assim como do Centro de História de Arte e Investigação Artística da UÉ, do Centro de Humanidades e do Instituto de História de Arte da Universidade Nova de Lisboa, do Museu Municipal Santos Rocha e do Museu Nacional de Arqueologia.

O projeto recebeu um financiamento de cerca de 250 mil euros, para três anos, pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT).