Aumento do preço dos combustíveis deixa mais pescadores em terra

A situação é mais grave em Setúbal e Sesimbra que, por pertencerem à Área Metropolitana de Lisboa, são contempladas com menos 40 por cento dos apoios financeiros comunitários.

O aumento do preço dos combustíveis que se tem vindo a verificar ao longo das últimas semanas está a provocar a paragem de algumas embarcações de pesca registadas em Setúbal, Sesimbra e Sines. São também as questões dos combustíveis que fazem com que, atualmente, o peixe vendido nas lotas esteja a ser comercializado a preços mais baixos. Estes factos estão a lançar o pânico no setor, tendo a Sesibal, associação mais representativa do distrito, anunciado que, em conjunto com outras empresas nacionais, pediu uma reunião de urgência com o ministro do Mar.

“O problema não é de agora, mas tem vindo a agudizar-se nas últimas semanas, e já há muitos pescadores, sobretudo de Setúbal e de Sesimbra, que já não conseguem ir ao mar”, disse ao Semmais o presidente da Sesibal – Cooperativa de Pescas de Setúbal, Sesimbra e Sines, Ricardo Santos, comentando as repercussões dos constantes aumentos dos preços dos combustíveis na atividade piscatória.

“A Sesibal, em conjunto com outras associações de pesca de todo o país, já solicitou uma reunião urgente com o ministro do Mar (Ricardo Serrão Santos), mas até ao momento ainda continuamos a aguardar uma resposta”, adiantou Ricardo Santos.

 

Preços da venda do pescado também está em queda 

Para o presidente da maior associação de pescadores do distrito, a qual representa cerca de 200 pessoas, o aumento dos preços dos combustíveis acarreta outros problemas que não apenas a diminuição do número de saídas de barcos para a faina. “Na lota, as pessoas que compram aos pescadores, estão também eles a oferecer menos dinheiro, argumentando que as despesas também subiram devido ao aumento do gasóleo. Quem perde com tudo isto são, naturalmente, os pescadores”, afirma.

Ricardo Santos diz ainda que a situação é particularmente gravosa para os pescadores registados nos portos de Setúbal e Sesimbra, os quais, por razões administrativas, estão ligados à Área Metropolitana de Lisboa (AML). “Acontece que por pertencerem à AML, os pescadores de Setúbal e Sesimbra recebem menos 40 por cento dos apoios comunitários destinados aos colegas de outras áreas. Torna-se muito mais difícil fazer a faina”, acrescenta.