Almada é o concelho mais critico, seguindo-se o do Seixal e o de Setúbal. Nos municípios do Litoral Alentejano o flagelo não é tão gritante.
Se a pobreza já era uma realidade para muitas famílias, com a chegada da pandemia agudizou-se o desemprego, os baixos rendimentos, a solidão, a extinção dos postos de trabalho e, por consequência, o número de agregados familiares que se viram obrigados a recorrer à Rede de Emergência do Banco Alimentar Contra a Fome.
Este flagelo é transversal ao país, contudo o distrito de Setúbal é um dos mais afetados. Até ao final de outubro, a instituição recebeu 4.292 pedidos de ajuda que reverteram em alimentos para 13.552 pessoas.
“Setúbal foi um dos distritos mais afetados pela Covid-19, há pessoas que ainda não conseguiram recuperar as economias e outras que continuam sem emprego. É uma região especial pelas características da população. Por um lado, falamos da existência de muitas famílias monoparentais que ficaram desempregas ou que trabalham mas têm rendimentos muito baixos e mal conseguem pagar a habitação onde vivem, e por outro há muitos vínculos laborais precários, seja no respeita a contratos ou à ausência deles”, diz a presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome.
Em conversa com a Semmais, Isabel Jonet, avançou ainda que “as pessoas que mais recorreram” à Rede de Emergência Alimentar “foram cabeleireiras e esteticistas que se viram obrigadas a fechar portas, sem receber nada. Muitas não tinham capacidade para recorrer aos apoios da Segurança Social e as que conseguiram demorou algum tempo”.
Segundo os dados da rede, dos nove concelhos da península, Almada é o mais critico, tendo-se registado 1.053 pedidos (o equivalente a 3.192 pessoas), seguido do Seixal com 847 solicitações (2.772), Setúbal com 653 (2.085), Barreiro com 483 (1.512), Moita com 420 (1.329), Palmela com 339 (1.104), Montijo com 184 solicitações (577), Sesimbra com 178 (553) e por fim Alcochete com 20 solicitações que abrangeram 51 pessoas.
Já nos quatro municípios alentejanos integrados no distrito de Setúbal, o flagelo é menos gritante, mas ainda assim a Rede de Emergência Alimentar socorreu 249 pessoas em Sines, 77 em Santiago do Cacém, 26 em Alcácer do Sal e 25 em Grândola.



