Politécnico de Setúbal promoveu 1º seminário sobre economia circular da região

As práticas desenvolvidas pela autarquia sadina, em matéria de ambiente e sustentabilidade, concretamente na valorização de resíduos, foram apresentadas durante o seminário.

O primeiro Seminário de Economia Circular na Região de Setúbal insere-se no âmbito das atividades do Change CornER, um projeto da Universidade Europeia E³UDRES² criado com o objetivo de alertar para a importância desta estratégia económica, promovendo o debate entre intervenientes para determinar os principais problemas da região e gerar ideias de negócios sustentáveis.

Na abertura da iniciativa, a vereadora com o pelouro do Ambiente, Carla Guerreiro, apresentou, segundo a câmara, “as experiências que têm resultado de um conjunto de projetos municipais com desempenho ambiental positivo no concelho e que espelham a aposta clara que tem vindo a realizar neste modelo económico com benefícios para o futuro do planeta”.

“Baú das Cinzas” e a “Gaiola dos Esferovites”, equipamentos instalados na frente ribeirinha, destinados a facilitar a correta deposição dos resíduos gerados pelos grelhadores dos restaurantes e das embalagens que acondicionam o peixe, foram alguns dos exemplos apontados. “Toda a gente tem aderido. As cinzas dos fogareiros, muitas vezes ainda quentes, acabavam nos canteiros, nos contentores normais ou até no rio. Já as caixas de esferovite, como têm uma grande dimensão, eram colocadas no chão. Isso acabou”, sublinhou a autarca em comunicado enviado á nossa redação.

Segundo Carla Guerreiro, a Amarsul, empresa dedicada à gestão de resíduos sólidos urbanos dos municípios da península, “não tem interesse em recolher e reaproveitar, pelo que essa separação é feita pela câmara municipal”.

A vereadora aproveitou ainda para lançar um “desafio ao público de partilha de ideias para aplicação desta caixa de esferovite e destas cinzas”.

Durante a conferência, na qual participaram a Agência de Energia e Ambiente da Arrábida (ENA) ,o Grupo Carmona, a Associação de Viticultores do Concelho de Palmela e a Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo. Carla Guerreiro destacou, igualmente, a implementação de um projeto de recolha seletiva de resíduos orgânicos, “com o objetivo de promover um melhor reaproveitamento dos recursos”.

Na mesmo comunicado, a edilidade recorda que o “Setúbal Composto Tem + Valor”, resultante da aprovação de candidaturas do município a fundos comunitários, no âmbito do PO SEUR, antecipa a obrigatoriedade de Portugal assegurar, a partir de 2024, a separação e reciclagem na origem dos biorresíduos, nomeadamente restos de refeições, ou, em alternativa, a recolha seletiva deste tipo de lixo para transformação em composto.

Antecipando essa decisão comunitária, afirma a autarquia, o “município pôs em prática o projeto em meados de 2021, procedendo à recolha seletiva de resíduos orgânicos porta a porta em quatro das cincos freguesias do concelho e procedendo à recolha de proximidade em bairros populosos da freguesia de São Sebastião”.

A existência de uma rede pública de deposição e recolha de óleos alimentares usados e a utilização de viaturas e equipamentos mais eficientes foram outras práticas sustentáveis apresentadas pela vice-presidente da autarquia, assim como a recolha de resíduos de construção.

Na conservação e manutenção de espaços verdes, Carla Guerreiro sublinhou que “Setúbal assegura a gestão eficiente da rega, a utilização de composto produzido a partir da valorização de resíduos sólidos urbanos, a existência de uma rede municipal de hortas urbanas e a valorização da biomassa vegetal”.

No setor da eficiência energética, recordou um conjunto de medidas implementadas que resultaram em ganhos na poupança energética. “Intervenções na iluminação pública, em edifícios e equipamentos, substituição de luminárias de vapor de sódio por LED e utilização de painéis fotovoltaicos para produção de energia foram alguns dos exemplos apontados”, referiu.

Refira-se que a economia circular é um modelo de produção e de consumo que envolve a partilha, a reutilização, a reparação e a reciclagem de materiais e produtos existentes, alargando o ciclo de vida dos mesmos, com o objetivo de reduzir o desperdício ao mínimo.

O seminário realizou-se no Instituto Politécnico de Setúbal na última terça-feira.