Guerra no leste da Europa tem efeitos residuais na atividade dos portos do distrito

Sines refere que não existem transações e Setúbal diz que as mesmas são irrisórias face à generalidade da atividade.

O conflito armado que opõe na Ucrânia este país à Rússia quase não tem repercussões na atividade dos portos de Sines e de Setúbal. As administrações das duas instituições referem que as transações ali efetuadas são praticamente inexistentes ou residuais.

Contactada a administração do porto de Sines, foi adiantado ao Semmais pelos seus serviços de comunicação que, atualmente, não são feitas transações a partir daquele local de e para a Rússia, isto apesar de a estrutura portuária ser referida como local de desembarque de gás proveniente daquele país.

A mesma administração, tal como o nosso jornal referiu na última edição, afirma sim que o conflito armado pode originar alterações no seu funcionamento, nomeadamente através da construção de depósitos e outras estruturas destinadas ao armazenamento e transporte de gás para outros países europeus.

Já em relação a Setúbal a informação prestada foi de que “até ao momento a situação de guerra na Ucrânia não teve impacto na atividade desenvolvida nos terminais do porto”.

“A movimentação de mercadorias com a Rússia, enquanto país de origem ou de destino, tem sido na importação de carga geral fracionada e granéis sólidos, nomeadamente sucata, e na exportação de carga contentorizada, num total de cerca de 60 mil toneladas”, adiantaram os responsáveis da Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra – APSS.

A APSS refere ainda que a carga ali movimentada relativamente à Rússia é de apenas 6,5 milhões de toneladas. “Este valor tem uma expressão residual para o porto de Setúbal”, adianta.

Os portos de Sines e Setúbal são dos principais do país, sendo que o primeiro é o único de águas profundas em território nacional e um dos sete, na Península Ibérica, capaz de ter capacidade operacional para expedir o gás natural proveniente da Rússia (e que devido à guerra já não passa pela Ucrânia) e que é essencial para alguns países do centro da Europa, nomeadamente para a Alemanha, que compra cerca de 40 por cento de toda a produção.