Exclusivo Nacional: Conversas telefónicas denunciam autores do homicídio no Dragão (com áudios)

Gravações exclusivas sobre o homicídio ocorrido junto ao estádio do Dragão, na noite de sábado, revelam conhecidos dos intervenientes a falar dos motivos que terão levado ao crime e das consequências que o mesmo poderá ter.

A secção de homicídios da Polícia Judiciária (PJ) do Porto já tem em sua posse diversas gravações de conversas telefónicas e mensagens escritas que confirmam terem sido o número dois da claque “Super Dragões”, do Futebol Clube do Porto, conhecido por Marco “Orelhas”, e um seu filho de 17 anos, os autores materiais do homicídio, à facada e à pedrada, de um outro elemento da mesma claque. Numa série de gravações a que o Semmais teve acesso, alguns elementos daquele grupo organizado não só contam como se deu o crime, como também descrevem as suas motivações.

No conjunto de gravações a que o nosso jornal teve acesso, existe uma em que um elemento da claque portista começa por explicar que a vítima mortal,

, de 26 anos, já andava há muito desentendido com os presumíveis homicidas, ao ponto de ter cometido algumas agressões recentes aquando da Queima das Fitas.

Nesse testemunho o homem, que já está identificado pela polícia, diz para quem o interpelou: “Tem calma, que não vai morrer só este. Ainda vai dar mais merda”. “O gajo, mal saiu do hospital, depois de ter levado os tiros do meu colega, foi logo roubar um traficante, depois de ter levado tiros no peito… O meu colega disse-me que os tiros que lhe deu era para o f… não sei como ele não morreu… Eu não me estava a dar muito bem com o Marco, mas era mais amigo dele do que do Igor. Aqui a razão da história é esta: ele bate na família toda, caça os filhos do Marco na Queima das Fitas e f… os miúdos, e depois ainda vai para o Estádio da Luz para virar tudo. Mas tem calma, que não vai morrer só este. Ainda vai dar mais merda”. Estas declarações são, alegadamente, de um agente da PSP que conhecia os intervenientes e que ajudam a explicar alguns dos passos que antecederam o crime.

Noutra gravação surge alguém que será o pai de Igor, relatando que este, depois de ter agredido um filho de Marco, que por sua vez já teria batido num seu outro filho, terá visto a sua casa ser apedrejada pela mãe e a mulher de um dos suspeitos (Marco “Orelhas”), pelo que saiu de casa e as terá agredido. “O Marco em Lisboa tentou apanhá-lo por trás. O meu filho espancou o Marco, o Marco juntou-se com o filho, agora ao vir para o Dragão. O filho deu-lhe com o facalhão de cozinha e o Marco sempre a dar-lhe com uma pedra na cabeça. Mataram-no os dois. O filho é que lhe espetou a faca por todo o lado…”

 

“O Pena na prisão tem três irmãos…”

Neste momento, enquanto a polícia tenta capturar Marco “Orelhas” e o filho, que fugiram para parte incerta logo após o crime, existe uma preocupação acrescida entre as forças policiais, que temem represálias. “O Marco Orelhas está desgraçado. O Pena tem três irmãos na prisão. O Marco ou nunca mais aparece em lado algum, ou então está f…”, diz outro dos intervenientes nas escutas a que o Semmais teve acesso.

Num outro telefonema, outro homem diz que “estive agora a falar com um irmão do Pena” e que este terá dito que Igor terá começado a desentender-se com os supostos agressores ainda durante a Queima das Fitas. Depois, tal como já antes fora referido, houve um início de escaramuça no Estádio da Luz, em Lisboa, tendo o acerto de contas sido consumado já no Porto, sobre um palanque instalado junto ao estádio do dragão, onde decorriam festejos pela conquista do campeonato nacional de futebol. No decurso dessa rixa, onde são visíveis diversos intervenientes, terá também sido esfaqueada a namorada da vítima mortal, a qual teve alta hospitalar algumas horas mais tarde.

A lista de suspeitos, diretos e indiretos, pode, no entanto, ser bem mais extensa. É que nas gravações da polícia há também quem afirme que o ataque a Igor não foi efetuado apenas por Marco e o filho mas, também, por “mais alguns 15 gajos”.

Nas diversas trocas de mensagens há quem lembre ocorrências anteriores envolvendo a vítima mortal e até quem lamente que o líder da claque Super Dragões, Fernando Madureira, vulgarmente conhecido por “Macaco”, possa ser envolvido no caso. “O Macaco ainda se vai lixar com este áudio”, diz uma das intervenientes nas conversas.

O Semmais sabe também que este caso, devido à gravidade e exposição mediática, pode ser a gota de água para as entidades judiciais e policiais do Porto, que há muito vigiam diversos elementos ligados à claque Super Dragões, conotando-os com a prática de crimes que vão desde o tráfico de droga, aos assaltos à mão armada e agressões diversas.