Diocese de Setúbal refuta encobrimento ou ocultação de queixas de abusos sexuais

Diocese diz que “não se revê nas expressões ocultação ou encobrimento, dado que o processo de averiguação decorreu no cumprimento das orientações canónicas e civis em vigor à data”.

A Diocese de Setúbal refutou esta sexta-feira o encobrimento ou ocultação de queixas de abusos sexuais na Igreja Católica alegando que a investigação feita a um padre suspeito da diocese cumpriu as orientações canónicas e civis em vigor à data.

Na edição de hoje, o jornal Expresso noticia que o bispo emérito de Setúbal, Gilberto Canavarro dos Reis, terá tido conhecimento de queixas de abusos por parte de padres e não as comunicou nem à Polícia Judiciária nem ao Ministério Público, as autoridades civis com competência para investigar este tipo de crimes.

Segundo o semanário, terá sido Gilberto Canavarro dos Reis — bispo da Diocese de Setúbal entre 1998 e 2015 — quem recebeu queixas contra um padre que ainda hoje está no ativo.

Em comunicado, a Diocese de Setúbal refere que “não se revê nas expressões ocultação ou encobrimento, dado que o processo de averiguação decorreu no cumprimento das orientações canónicas e civis em vigor à data”.

A diocese refere que existiu, entre 2008 e 2015, uma investigação canónica a um padre diocesano, motivada por queixas de abuso sexual de menores.

“O processo canónico foi organizado pelo bispo diocesano à data dos acontecimentos, tendo sido ouvidas todas as partes envolvidas, ou seja, o alegado perpetrador e as alegadas vítimas”, adianta o comunicado.

Enquanto decorreu a investigação canónica, o sacerdote em causa esteve suspenso de funções. Contudo, “após a conclusão do processo, o decreto emanado pela Santa Sé ilibou o padre e permitiu que voltasse a exercer o seu ministério, com o ofício de pároco”, justifica a Diocese de Setúbal.

Numa resposta ao Expresso, a diocese admitiu que “não foi feita uma participação ao Ministério Público”.

O jornal noticia, citando uma fonte judicial, que o bispo Gilberto Canavarro dos Reis, bem como o cardeal Manuel Clemente e o bispo da Guarda Manuel Felício, não foram os únicos altos responsáveis a não dar seguimento às queixas que receberam de menores e que pelo menos algumas delas estão a ser investigadas pelo Ministério Público depois de a Comissão Independente para o Estudo dos Abusos Sexuais contra as Crianças na Igreja Católica Portuguesa as ter recebido.

No comunicado, a Diocese de Setúbal revela-se “empenhada em prevenir comportamentos atentatórios da dignidade” dos menores e dos mais vulneráveis “e em acolher e cuidar daqueles que possam ser vítimas de abuso e comportamentos desviantes”.