Pôr cobro a esta insanidade coletiva

Inesperadamente o país foi assolado por um enorme número de incêndios no Centro e Norte do país, que já fizeram vítimas mortais e arrasaram com parte muito significativa de floresta nacional.

Enquanto os bombeiros, forças de segurança e da proteção civil estão no terreno atacando de frente a tragédia, temos sido invadidos por uma chuva de comentaristas, uns mais especializados que outros, brindando-nos com diagnósticos, críticas e soluções.

É desolador pensar que a primeira de todas as razões, que levam a estes tristes incidentes, está muito para além do que podemos fazer agora, neste momento. Não é agora, perante a crise, que vamos ordenar as florestas e o território, criar aceiros, reduzir o eucaliptal e atender aos desafios das alterações climáticas.

Sabemos, sobejamente, que nada disto tem resolução a breve trecho, antes pelo contrário, e que, após a tormenta, voltamos à estaca zero.

Reconheço que nos últimos anos alguma coisa tem sido feita, mas nada consegue ser suficiente para parar a força da natureza, quando esta está acossada há muito e de forma devastadora. Ouvimos os apelos, à escala global, e nada.

É preciso fazer uma espécie de “reset” para proteger a nossa casa comum, mas para que isso seja uma realidade precisamos de lideranças políticas fortes, conscientes e convictas sobre o que há a fazer. E o tempo urge.

Impressionam estes incêndios, as cheias e muitas outras manifestações climáticas que provam, à sociedade, o rombo que a voracidade do desenvolvimento tem vindo a provocar em todo o Planeta. E impressiona ouvir negacionistas com palco a verter ideias em direção contrária.

Estamos à beira do declínio e poucos são os que se importam verdadeiramente, imputando às futuras gerações tempos ainda mais difíceis de gerir.

Trata-se de uma imensa insanidade, que percorre os nossos tempos. Ao lado das guerras, do terrorismo, da cultura da violência, da intolerância e do populismo atroz.

Ainda há tempo de por cobro a esta loucura coletiva, mas não sei se haverá tempo de repor a normalidade na nossa casa comum, que alberga um bem maior que é a humanidade.