Uma das consequências da queda do Governo, que Montenegro quis e para a qual arrastou um PSD deslumbrado, é o efeito nefasto sobre as importantes eleições autárquicas de setembro-outubro. Por mais que diga, ficarão sempre para segundo plano, e isso não é nada bom.
As legislativas e os procedimentos para a constituição de um novo Governo, com maioria estável, à direita ou à esquerda, ou minimizado pela esperada fragmentação da Assembleia da República, vai demorar no tempo e roubar espaço para a preparação das campanhas locais em todo o país.
Esta minimização das eleições para as câmaras municipais e juntas de freguesia, aquelas que importam muito às populações, pela proximidade e pelas políticas diretas à vida de cada comunidade local, é um enorme risco, a começar por uma abstenção que pode fazer eleger candidaturas menos preparadas.
Há ainda a considerar as presidenciais do próximo ano, que vão, certamente, ajudar a chamuscar a atenção mediática desse ato eleitoral.
Além disso, as máquinas partidárias vão agora empreender todos os esforços na eleição de deputados, numa altura em que os candidatos às câmaras e às freguesias estavam a preparar-se para colocar no terreno os seus meios de comunicação e marketing. Acresce a questão dos fundos, que serão quase de certeza bastante menos robustos.
Não será fácil, pois, assistirmos a campanhas locais com o devido foco, numas eleições em que uma parte substantiva dos atuais presidentes de câmara não vão poder recandidatar-se ou, por outra via, estão na forja para ‘atacar’ municípios vizinhos.
No espaço público será uma barafunda inaudita, obrigando os eleitores a um esforço acrescido para apreender mensagens, pensar nas escolhas e obrigarse a ir às urnas, cumprindo o seu dever cívico.
Estou expectante sobre o resultado abstencionista dos processos eleitorais que aí vêm. E tenho quase a certeza de que haverá, neste sentido, um efeito de contágio, de eleição para eleição, com autarcas eleitos por cada vez menor número de eleitores.



