Exemplos de mau jornalismo

Nesta época da banalização de tudo e mais alguma coisa, do populismo, da demagogia e da desinformação, acresce a responsabilidade da comunicação social séria e credível.

Tenho escrito muito sobre a falência da minha atividade profissional e de o jornalismo estar, desde há muito, ferido de morte. Os tempos vindouros não parecem abrir nenhum fresta para contrariar esta triste realidade.

Desde logo, não parece haver nem força nem vontade para que os jornalistas resgatem esta luta emergente contra as ‘fake news’, balizando o valor-notícia e a ‘regulação’ da desinformação que grassa em todos os palcos. Antes pelo contrário.

A realidade impunha, em particular, que os resistentes desta classe tão relevante para a democracia e tão nobre do ponto de vista do interesse público pudessem empreender o seu combate. Ganhar voz e lutar mesmo contra estes ventos madrastos que disferem contínuos golpes à sociedade e aos cidadãos.

Há muitos exemplos de que, pelo contrário, uma certa ‘nata’ de profissionais alinham pelo diapasão deste ruído insanável, pejorativo, alimentando a selvejaria que grassa no espaço público, na bolha mediática e nas redes sociais. O anacrónico tiro ao alvo que José Rodrigues dos Santos empreendeu contra o atónito líder do PCP, numa espécie de entrevista recente na RTP, é apenas um destes exemplos.

O jornalista é um cidadão com direito à opinião e o sacrossanto exercício da atividade permite essa deriva em espaço próprio e em circunstâncias adequadas. Mas estar ao serviço de determinadas motivações, assim, em claro desrespeito pelos ditames éticos, deontológicos e profissionais, é cavalgar a ameaça que paira sobre o trabalho dos guardas-do-portão.

Há muito que José Rodrigues dos Santos caiu em (des) graça e ninguém parece cuidar dessa vertigem. E se fosse o único podia parecer um enorme erro de casting. Mas não é. E isso é muito perigoso.