Inês Pedruco apresenta obra “ShortCut” em Sesimbra

Estreada durante a Quinzena de Dança de Almada em 2023, a peça conta a história de Lúcia e das suas memórias que remetem para a guerra, o amor e fé.

“ShortCut”, uma criação de Inês Pedruco produzida pela Companhia de Dança de Almada, está esta sexta-feira em cena no Cineteatro Municipal João Mota, em Sesimbra, a partir das 21h30. O espetáculo está em digressão nacional, depois da estreia, em 2023, durante a Quinzena de Dança de Almada – International Dance Festival.

Este trabalho, onde  se destacam o som e a memória, nasceu de um contacto da criadora com a obra de Gonçalo M.Tavares, nomeadamente o livro “Short Movies”. “Sempre gostei muito do seu estilo e trabalho. Não sou de leituras muito longas, portanto estes contos davam-me muito criativamente. Foi a partir da proposta de apresentar um trabalho para a Quinzena, através da DGArtes, que selecionei alguns contos e fui trabalhando com os bailarinos. Na peça acabamos por falar sobre guerra, amor e muita partilha de histórias, medos, receios, fé e tradição”, explica ao Semmais Inês Pedruco.

Com uma cenografia simples e figurinos leves, cerca de uma dezena de bailarinos representam a história de Lúcia e das suas memórias, que pensava perdidas: “Tentei criar uma ligação entre os contos que selecionei, embora no livro, na minha opinião, isso não aconteça. A coreografia começa num bar, supostamente vintage, onde existe uma empregada que está a servir pela primeira vez. É aqui que aparece a questão do som, porque, através de um barulho, ela volta atrás na vida para algo que aconteceu e não se recorda. Até surgir o barulho, todos são personagens diferentes a frequentar um bar e a conhecerem-se. Depois desse som  passam a ser a mesma pessoa e acabam todos por contar as várias fases da vida dessa personagem.”, revela a coreógrafa.

Estas memórias, bem como a escolha da música, sobretudo o blues, remetem para o período da vivência da família de Inês Pedruco em Timor-Leste, quando este território era colónia portuguesa e se encontrava ocupado pela Indonésia. “Procurei também trazer as músicas dos tempos dos meus avós para esse bar. Isso é muito importante para mim, porque a minha família é timorense e viveu a guerra de Timor. Fui procurar um bocadinho as músicas que os meus avós ouviam nessa altura. Este é o motivo de abordar os temas da guerra,  perda,  fé e tradição. Foi também um ponto de partida para mim, porque é algo muito presente na minha família”, sublinha a criadora.