“Nativo”de Tiago Manuel Soares reclama mais espaço para a música tradicional

Respeitando o registo clássico, o artista procura dar uma roupagem mais contemporânea a sonoridades como a do adufe, dos bombos, das pandeiretas ou das castanholas.

Tiago Manuel Soares apresenta esta sexta-feira à Casa da Música Jorge Peixinho, no Montijo, o seu mais recente trabalho, num concerto em que procura estabelecer a relação entre as suas raízes, na música tradicional portuguesa, e a contemporaneidade.

Com um percurso de duas décadas ligado à percussão, o músico quer que este projeto reclame mais espaço para sonoridades como são a do adufe, o bombo, as pandeiretas ou as castanholas. “Acaba por ser um projeto pioneiro em Portugal. Entre outras coisas, estamos a falar de instrumentos que nunca foram escritos em partitura. Fizemos, por exemplo, esse trabalho com os compositores. Além disso procurámos criar uma nova música a partir destes instrumentos e abrir novos horizontes com estas sonoridades”, explica o artista em conversa com o Semmais.

De acordo com Tiago Manuel Soares, “Nativo” não nasceu “do dia para noite” e reflete grande parte do estudo e trabalho ao longo da sua carreira, apresentando, neste espetáculo, composições de autores como Fernando Lapa, Ângela da Ponte e Filipe Fernandes.  “Sempre estive muito ligado às raízes da música tradicional e da arte de rua. Em 2019, quando terminei a licenciatura em percussão clássica, na Universidade do Minho com o professor Nuno Aroso, que conhecendo a minha relação com estes instrumentos e universo assim como a minha inquietação por trabalhar este reportório, fui desafiado a convidar compositores português, que já estivessem relacionados com o universo da música popular e daí partir para um recital. O ‘Nativo’, na verdade, começa a surgir quase desde o início, foi sendo criado ao longo destes anos da minha carreira”, revela.

Com pouco espaço na programação cultural e face à inexistência praticamente nula de festivais dedicados este estilo de música, Tiago Manuel Soares assinala várias dificuldades, como a precariedade, e, também, por isso, reclama espaço no espectro artístico. “Não sou contra o mainstream, mas há mais coisas para além disso. Não há muitos músicos em Portugal a fazer isso, somos muito poucos a pegar na música tradicional e nos instrumentos tradicionais e a trazê-los para a contemporaneidade, abrindo novos horizontes e possibilidades. Arrisco-me a dizer que há uns bons anos, se calhar, havia mais espaço para a música tradicional. Agora há um hype pelo adufe e espero que se consiga consolidar.”, refere o artista.