Campanhas e votos

Arrancou a campanha e quase não se nota. Esta ideia não é minha, é mesmo o que se sente. E isto quer dizer muita coisa, desde logo que os portugueses estão mesmo fartos de ir a votos. E não estão habituados a tanta eleição.

Enfim, é o que é. E por isso, as diversas forças partidárias vão agora esfalfar-se para recrutar apoios e, sobretudo, não deixar que a vitória no dia 18 seja mesmo dos abstencionistas.

Mas está muita coisa em jogo, e todos sabemos que as sondagens, regra geral, só têm servido para gerar ruído e confusão, alimentando os painéis de comentadores e a chusma de programas políticos agora servidos de notas, pontuações e tantas outras cenas do business de entretenimento.

Estou longe de acertar nos resultados destas legislativas. Vejo muita gente eufórica e outra tanta tristonha, mas todos estes sabem bem que vão ter que disputar votos uns dos outros, porque os que podiam fazer a diferença vão certamente marcar passo e ficar por casa a ver de cadeirinha.

A mais importante que se pode antever é se os principais partidos do sistema conseguirão encontrar plataformas de diálogo para manter o país vivaço e a seguir em frente. Quem ganhar que governe, quem perder que faça oposição. E que todos (ou quase todos) estejam à coca dos abusos e dos extremos, porque este país não está disposto a atropelos que ressurgirá, não tenho dúvidas, se as coisas se complicarem.

Tenho alguma esperança de que a próxima semana desta campanha morna e sem chama, acicate, pelo menos, mais alguns ainda conscientes de que, apesar de tudo, vale a pena e é importante depositar as suas escolhas na urna da verdade.

E essa tarefa é de todos. Dos partidos, dos agentes políticos e de cada um dos cidadãos deste país que se lembram ou sabem de como era antigamente.