Confluência

Assumo este mero acto de propaganda à Associação Conquistas da Revolução à qual muitos saberão como chegar: conquistasdarevolucao.blogspot.com. Assumiu, veja-se, um texto “ISRAEL/Pedro Pezarat Correia”, que este editou no “Giro do Horizonte”.

Não há falta de inspiração, quando retomamos por inteiro, saberá Deus donde: «Desde 25 de Fevereiro, na “Viagem dos Argonautas”, num testemunho de imprescindível leitura sobre o gosto de ter sido convidado para integrar a Comissão Promotora da Sessão Pública que dois antes tivera lugar “numa Sala Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa completamente esgotada” de homenagem a Álvaro Cunhal e nela ter participado, o General Pezarat Correia escreve: “Há um aspecto que não posso deixar de registar… Quando os responsáveis políticos embandeiravam em arco com a adesão de Portugal à Comunidade Económica Europeia e a entrada no ‘clube dos ricos´, quando a maioria do povo português embandeirava na euforia da festa das remessas dos fundos estruturais e se empanturrava em betão a troco do abandono da agricultura, da extinção da frota pesqueira, do esvaziamento da marinha mercante, do encerramento de indústrias de base, Álvaro Cunhal alertava e repetia: os portugueses irão pagar isto. Era ouvido com cepticismo. Não me excluo, a palavra de Álvaro Cunhal levava-me a reflectir, mas deixava-me dúvidas. Álvaro Cunhal tinha razão. Os portugueses estão a pagar isso´ (´Giro do Horizonte – Álvaro Cunhal´).

«Fácil de entender, então, que logo que a opinião pública e o íntimo de muitos lares portugueses já se viam confrontados com a denúncia, pelo PCP, dos efeitos de uma coisa chamada urânio empobrecido, o mesmo membro do Conselho da Revolução, no Jornal da RTP 2 da noite de 28 de Dezembro 2000, preferisse descentrar com delicada contenção, como escrevemos, os seus comentários sobre esta problemática, antes preferindo assumir e dar ênfase ao seu total desacordo (em sintonia com o repudio da larga maioria do povo português) pela intervenção militar da NATO na Jugoslávia, ao arrepio da ONU e do direito internacional. Chamando à colação a subserviência do governo e de outras esferas do poder político em Portugal à estratégia dos Estados Unidos, foi mais longe: esses mesmos efeitos, só pela sua suspeição, demonstravam a desmesura da medida em relação aos seus alvos e até aos seus objectivos políticos (vergar um governo), e, numa síncope que o conduziu à evocação de Hiroshima e Nagazaki, pôs o dedo na ferida – o ritmo de acumulação e modernização do monstruoso arsenal bélico existente, indissociável da indústria e comércio subjacentes e colocados em posto de comando, implicava o descarregamento sobre os povos de toneladas dos seus stocks, `esse derrame eterno com cheiro a petróleo e similares das operações cirúrgicas que não mudam de género e que nas categorias do século findo passámos a chamar-lhe: `urânio de Guernica´” (`Guernica tinha ver com Bagdad?´).

«Vem isto a propósito da chegada à Casa da Cultura, em Setúbal, da exposição `Guernica´oriunda das instalações da Junta de Freguesia de São Bartolomeu de Messines, lá onde se inseriu, como explicitou aquele orgão do Poder Local democrático, nas comemorações do Centenário de Álvaro Cunhal, cinco meses depois de ocupar o Espaço das Artes da Festa do Avante! e no quadro geral de uma atitude inabalável do PCP na defesa da Paz. Porque Picasso pintou a sua obra-prima há´ (havia) `76 anos, uma semana após a Legião Condor arrasar, a 26 de Abril, aquela terra do norte de Espanha que nada tinha, como todas as outras, a ver com a guerra´.

«Inaugura-se a 27 de Abril, até 2 de Junho, no Pátio da Galé, no Terreiro do Paço, em Lisboa, a Exposição Central do PCP `Vida, Pensamento e Luta. Exemplo que se projecta na Actualidade e no Futuro´, dedicada ao dirigente comunista.

«Guernica percorre-nos, mas não haverá choque de confluências».

Valdemar Santos – Militante do PCP