Há encontros que falam mais do que os discursos que neles se fazem, mesmo que à mesa estejam cestas de oferendas, e loas de circunstância à solidariedade e à dádiva aos mais pobres. Mesmo eu, como cristão da Igreja de Pedro, não me vejo sentado à mesa com toda a gente…
Por isso mesmo, nesta quadra em que se celebram pontes, compaixão e acolhimento, surpreende ver certas presenças lado a lado com projetos que erguem muros, classificam pessoas e desenham fronteiras morais onde elas não deviam existir.
A Igreja, que tantas vezes recorda a centralidade do próximo, sobretudo o diferente, o frágil, o estrangeiro, arrisca-se, nestes gestos, a diluir a clareza da sua própria mensagem.
A este nível, a proximidade ocasional não corroi os comensais, mas compromete sempre a simbologia das escolhas. E há símbolos que, nesta época do ano, ganham um peso que não se varre para debaixo da toalha da confraternização.
É caso para dizer, ‘não havia necessidade’… Porque nem tudo o que se partilha à mesa deve ser tomado por comunhão.



