Montijo celebra tradição com uma das maiores mostras de presépios do país

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O Museu Casa Mora, no Montijo, acolhe a exposição “Arte dos Presépios”, uma mostra com cerca de 500 peças produzidas por artesãos de várias regiões do país.

Organizada pelo Gabinete de Turismo do município, esta iniciativa, que cumpre a 17.ª edição, apresenta múltiplas interpretações da cena da Natividade, a adoração do Menino Jesus por Maria, José e os animais do estábulo. Uma imagem que alimenta, ainda hoje, um imaginário coletivo de tradição, raízes e família. “O presépio começou por ser feito nas igrejas, algumas até com cenas representadas em painéis de azulejos. Depois passou para as casas, por devoção ou simplesmente porque as pessoas gostavam da representação. Muitos ainda recordam o ritual de ir buscar musgo e outros materiais para fazer o seu próprio presépio”, explica fonte do município ao Semmais.

A mostra inclui presépios para todos os gostos e sensibilidades: dos mais tradicionais aos mais arrojados, minimalistas ou contemporâneos, variando em tamanhos, formas e estilos. “Procuramos diversificar tanto as regiões como os artesãos convidados. Este ano participam cerca de 20 artesãos, e todas as peças são diferentes. Temos presépios minúsculos, com apenas dois centímetros, até outros com 20 ou 30 centímetros ou mais”, acrescenta a mesma fonte.

A diversidade também se revela nos materiais utilizados. “Os presépios podem ser de madeira, estanho, cortiça, cerâmica, porcelana, tecido com bordados, metal, barro ou arame. Há uma grande riqueza de técnicas e origens”, destaca a autarquia.

No que diz respeito aos artesãos do Montijo e da região envolvente, a abordagem continua a ser maioritariamente tradicional. “O que encontramos por aqui é o presépio clássico: o Menino nas palhinhas, Maria e José por perto e um ou outro animal. Não há particularidades que o distingam muito de outras zonas”, refere a mesma fonte.

Já outras regiões do país tendem a incorporar elementos identitários nas suas criações. “Temos, por exemplo, artesãos de Barcelos, e o Galo está sempre presente, ou o presépio está aos pés do Galo, ou o Galo integra a cena de forma mais divertida. Este ano temos presépios de Penacova feitos com palitos, um artesanato típico daquela região”, explica a organização.

Nesta edição participam artesãos de Ançã, Caldas da Rainha, Cartaxo, Castelo Branco, Coimbra, Couço, Évora, Golegã, Mafra, Miranda do Corvo, Nelas, Penacova, S. Mamede de Infesta, Santa Maria da Feira e Viseu.

“Isto é uma montra importante para os artesãos, que aqui podem vender as peças e divulgar o seu trabalho. Temos muitos colecionadores interessados e estas peças têm grande valor. No fim, promovemos o que o presépio simboliza: partilha, união, família, amor e fraternidade — valores que devemos transmitir às novas gerações”, conclui o município.