Cáritas enfrenta crescimentorecorde de pedidos de ajuda

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Para muitas pessoas pobres e marginalizadas do distrito, a Cáritas Diocesana de Setúbal é a ‘única família’ e mão amiga disponível. A instituição luta diariamente para prestar apoio a sem-abrigo, crianças em risco, mães solteiras, idosos com diversas patologias e muitas outras pessoas em situação de vulnerabilidade.

Neste Natal, tal como tem acontecido em anos anteriores, a Cáritas, em parceria com outras entidades, promoveu um grande jantar solidário. com o objetivo de proporcionar um momento de dignidade e convívio a quem mais precisa. “Habitualmente fazemos este jantar numa tenda montada junto às nossas instalações, na Praça Teófilo Braga, mas este ano quisemos algo mais acolhedor e realizamos num espaço fechado. Queremos recriar o ambiente de qualquer família, com mesas bonitas e um verdadeiro jantar de Natal”, explica ao Semmais Paulo Valente Cruz, presidente da Cáritas Diocesana de Setúbal.

O jantar, aberto à comunidade e preparado para mais de 150 pessoas, é especialmente destinado aos utentes das várias respostas sociais da instituição, sobretudo pessoas em situação de sem- -abrigo, que encontram aqui uma refeição completa e quente. “É um momento muito especial. Servimos o tradicional bacalhau, carne assada, um doce e temos também um momento musical. Eles ficam muito felizes por estar connosco, e nós com eles. A fragilidade é tão grande que, sem esta presença, muitos permaneceriam completamente isolados”, acrescenta o responsável.

A solidariedade não se esgota neste jantar. Entre outras iniciativas, destaca- -se a distribuição de presentes às crianças acolhidas pela Cáritas. “Temos 13 crianças na Casa de Acolhimento Residencial, até aos 10 anos, sinalizadas por negligência ou maus tratos. Fazemos o jantar de Natal no dia 24 e distribuímos presentes, tal como numa família, repetindo as ofertas no dia 25”, refere Paulo Valente Cruz.

Segundo o presidente da Cáritas, o trabalho feito na quadra natalícia é apenas um reflexo do que acontece diariamente. A situação das pessoas em condição de sem-abrigo preocupa particularmente. “Apoiamos cerca de 200 pessoas por dia nessa situação, que recorrem ao Centro Social S. Francisco Xavier para alimentação e banhos”, sublinha.

Os números confirmam a tendência preocupante. “Em 2023 servimos 135 mil refeições, e no último ano chegámos às 155 mil. Ainda não fechámos os dados deste ano, mas iremos seguramente ultrapassar esse número, infelizmente”, afirma.

Apesar da crescente pressão, Paulo Valente Cruz deixa uma garantia: “Qualquer pessoa que apareça aqui não fica sem alimentação. Ninguém passa fome. Pode não ter teto, mas não deixamos que passe fome. Qualquer pessoa que bata à nossa porta é apoiada, mesmo que venha de outras realidades”.