António Maria Eusébio nasceu a 15 de Dezembro de 1819, na casa com o número 58 da Rua dos Marmelinhos (rua que actualmente tem o seu nome), na freguesia de São Julião, em Setúbal.
Filho de José Inácio e de Teresa de Jesus, era conhecido por o Calafate devido à profissão de artífice da construção de barcos de madeira, e por “Cantador de Setúbal” pelo tema quase constante dos seus versos, à sua terra natal que tanto amou.
Para além da cidade, António Maria Eusébio versejou as gentes, os hábitos, o ridículo do seu tempo, onde era predominante a escassez de retratos sociais e políticos, cenas eróticas jocosas e provérbios da própria vida.
A 3 de Maio de 1854, António Maria Eusébio casa com Gertrudes Magna Claro, na igreja sadina de Santa Maria da Graça.
Só aos oitenta e dois anos o poeta popular publica pela primeira vez os seus versos, numa tiragem em folheto de 600 exemplares com prefácio do escritor e poeta Guerra Junqueiro, (processo usado na época usado pelos poetas populares para dar a conhecer a sua arte), ganhando assim alguns tostões para sua subsistência, patrocinado pelas dádivas dos amigos.
No ano de 1902, o etnógrafo Leite de Vasconcelos, registou: “Passei parte do verão em Setúbal. Uma tarde recebi um recado de Paulino de Oliveira para me deslocar à sua casa, por que estava lá o Cantador, a quem eu desejava conhecer em pessoa. Fui, e confesso que encarei com aquele velho octogenário, rijo e de aspecto inculto a recitar belos versos da sua lavra, e senti-me bastante impressionado.
O Cantador é alto, encorpado, de voz grossa. Diz os versos com ênfase no tom e no gesto, dá-lhes vida, e comunica também a própria emoção a quem o ouve.
Que forte organização poética! E contudo é analfabeto; mal sabe ler letra redonda, e só esta, pois na de mão não entra.”
O legado literário de António Maria Eusébio, “Versos do cantador de Setúbal” está publicado em três volumes. Os dois primeiros editados no ano de 1995, e o terceiro em 2008.
Calafate viveu até aos noventa e um anos, e ainda viu o seu valor como poeta ser-lhe reconhecido em vida, vindo a falecer em Setúbal a 22 de Novembro de 1911.
Considerada a sua mestria poética por muitos estudiosos, como uma constante lição de sabedoria, suscitando a atenção para teses de doutoramento e evocações por personalidades proeminentes da cultura portuguesa.
Artur Vaz – escritor



