Autarca almadense entende que o principal problema do Hospital Garcia de Orta é a falta de pessoal. Acredita que será construído o túnel entre a Trafaria e Algés e que o metropolitano será incluído no projeto. A Margueira, tal como os bairros clandestinos de Penajoia e Raposo, são problemas cuja resolução compete ao Estado.
Quais as áreas definiu como prioritárias para este mandato e de que modo estão a avançar?
São várias as nossas prioridades. Uma das principais é a reabilitação dos espaços públicos. É necessário recuperar passeios, jardins, sendo que a criação de bolsas de estacionamento, espaços verdes e vias cicláveis é um dos objetivos. Entendo, por exemplo, que existem zonas, como a Charneca da Caparica, que necessitam de rápidas intervenções. Mas também toda a frente marítima da Costa da Caparica, espaço que ainda se encontra muito condicionado por estar incluído no programa Costa Polis. Depois, não podemos esquecer a questão da habitação, que é igualmente fulcral em todo o concelho, tal como são importantes todos os trabalhos de reabilitação de escolas e construção de novos postos de saúde.
Há projetos a rolar no que toca às escolas?
Sim, estão vários em execução, nomeadamente na Trafaria e Monte da Caparica. Lembro, todavia, que não é possível construir, durante um só mandato, quatro, cinco ou seis escolas, mas é viável avançar com a reabilitação das que estão mais degradadas. Esse é um dos focos. Mas, já agora, lembro também os centros de saúde que já estão em marcha, como os da Costa da Caparica e do Laranjeiro/Feijó.
Qual é o ponto de situação dos bairros de Penajoia, Raposo e 2.º Torrão?
Sobre o 2.º Torrão, na Trafaria, está em execução a segunda fase de desmantelamento do bairro. Depois, como inferiu na sua pergunta, há outras zonas igualmente problemáticas, como são os bairros de Penajoia e Raposo. São bairros instalados em terrenos do IHRU (Instituto da Habitação e Reabilitação Urbana) e é nesses terrenos que estão a surgir, a cada dia, mais construções ilegais. Fora desses terrenos existem algumas construções devidamente identificadas pelos serviços municipais e que irão ter o tratamento devido. Dentro dos terrenos do IHRU há negócios montados e o proprietário dos espaços, o Estado, sabe bem o que se passa. O IHRU ficou de apresentar à Câmara de Almada, no início de Janeiro, um plano de intervenção nessas áreas.
Já o fez?
Não. Até agora ainda não o fez. É uma prova de inércia e que constitui um apelo ao surgimento de mais construções clandestinas.
A requalificação da Margueira continua a ser uma miragem, depois de tantos anúncios. Vislumbra algum avanço?
O que lhe possso dizer é que a situação da Margueira é muito semelhante à dos bairros que surgem nos terrenos do IHRU. É um problema que tem de ser resolvido pelo Estado que, no entanto, tarda em arranjar solução.
Mas havia o projeto mais ambicioso da Arco Ribeirinho…
É verdade, o Governo fez saber que pretende envolver os municípios do Arco Ribeirinho para resolver diversos problemas, entre os quais se inclui o da Margueira, mas até agora continuamos sem qualquer informação. É necessário, por exemplo, refazer o plano de pormenor para a zona, o qual já tem 25 anos. Esperamos que nos próximos anos seja dada alguma explicação e até já fizemos saber ao Governo que gostaríamos de ficar com um dos edifícios, para ali podermos instalar o Clube Náutico e ativar uma marina de recreio. Vamos ver.
Outro problema bicudo é o Hospital Garcia de Orta, que já não satisfaz a procura, enquanto o Hospital do Seixal não sai do papel. Qual o envolvimento da Câmara neste processo?
Considero que o principal problema do Garcia de Orta é a falta de profissionais de saúde. Digo-lhe porquê: O atual hospital até possui muito espaço e já até alguns projetos para poder crescer, mas não basta construir, é preciso dotar as instalações com o pessoal necessário nas diversas especialidades.
Mas uma futura unidade no concelho vizinho não ajudaria?
Não ponho em causa a sua construção, antes pelo contrário, mas não é, de facto, uma das minhas preocupações. Insiste que a verdadeira carência é a inexistência de profissionais no Garcia de Orta. Lembro, já agora, que o atual Governo disse que iria resolver os problemas da saúde num período de 60 dias e já passaram mais de 600. Até agora o que constatamos é a existência de um processo de gestão que é catastrófico. A reforma e estratégia que estavam a ser seguidas anteriormente deveriam ser retomadas, porque atualmente não conhecemos qual a nova configuração dos serviços de saúde.
Que leitura faz acerca do desempenho dos transportes públicos que ligam o seu concelho a Lisboa? São suficientes ou deviam ser reforçados?
Começo por dizer que, na minha opinião, após o aumento de dez anos concedido à Fertagus para exploração da ferrovia verifica-se uma maior degradação do serviço prestado. O que antes funcionava bem, está a funcionar pior. Por outro lado, tenho de salientar a melhoria trazida pela TML (Transportes Metropolitanos de Lisboa), uma vez que hoje temos autocarros a circular por todo o concelho, incluindo bairros e localidades onde antes não passava um só veículo. Quanto ao transporte marítimo é evidente que faltam embarcações.
Tem defendido a construção de um túnel rodoviário entre a Trafaria e Algés. Em que ponto se encontra essa possibilidade?
Continuo a considerar que a construção do túnel entre a Trafaria e Algés será determinante. É uma obra fundamental para desviar o trânsito intenso que vem do Centro/Sul em direção à Ponte 25 de Abril. O ministro das infraestruturas tem abordado o tema em diversas ocasiões e, verdade seja dita, ao contrário do que acontece por exemplo com a habitação, o setor dos transportes está a ser melhorado.
Não tenho dúvidas de que a construção do túnel constituirá uma grande revolução na questão das acessibilidades, tanto mais que existe a forte possibilidade de também por lá poder circular o metro. Esse é um dos objetivos da Câmara. Lembro, de resto, que o metropolitano já irá chegar em breve à Costa da Caparica e à Trafaria. Quero também lembrar que neste momento está a ser estudada a possibilidade de existir uma carreira marítima entre Trafaria, Porto Brandão e Algés.
Outro imbróglio é o da reposição das areias na Costa da Caparica. Há avanços e recuos e desentendimentos com a APA. O que dizer desta situação, tendo em conta a importância para este polo turístico?
Temos uma grande preocupação pelos atrasos na reposição do areal destinado a travar o avanço do mar nessa zona. É que os trabalhos que agora foram suspensos pela APA deveriam ter-se iniciado em Junho. Naturalmente que este atraso tem consequências que podem ser graves. E é preciso não esquecer que com o atraso podem ter sido afetadas as intervenções efetuados anteriormente. Portanto, digo-lhe que o atraso na reposição da areia é um problema grave e que pode ter colocado em causa toda o trabalho preventivo efetuado noutras ocasiões.
É preciso relocalizar campismo instalado em zonas proibidas
Inês de Medeiros está segura de que alguns parques de campismo que avultam na Costa de Caparica têm que ser relocalizados. “Não é possível relocalizar todos os parques de campismo e essa possibilidade nunca esteve em cima da mesa”, atira. Mas afiança: “O Clube de Campismo do Concelho de Almada e o Parque da Sociedade Filarmónica da Cova da Piedade (Piedense), não podem continuar no local onde se encontram, já que estão instalados em cima de uma duna primária e isso não é permitido”. A autarca sublinha que “já é altura de todas as pessoas ficarem a saber que não existe enquadramento legal que suporte a localização destes parques nos locais onde se encontram”. E, sobretudo, acrescenta, “é bom que todos saibam que os terrenos são propriedade do ICNF, ou seja do Estado. O ICNF é o senhorio e recebe rendas anuais das direções dos parques de campismo”. Diz que o Município tem estado sempre disponível para dialogar com todas as partes, e que “fiscalização desses espaços é constante, como atestam os relatórios dos bombeiros”.



