Outro rumo para o país

Para a direita, o principal problema do país são os imigrantes, os ciganos e os impostos.

O truque é velho, muito fogo de artifício, muita gritaria, todo um Carnaval para distrair do essencial.

Enquanto colocam miseráveis a atacar os mais miseráveis, protegem quem enriquece às custas da pobreza, dos baixos salários e da destruição dos serviços públicos.

Fortes com os fracos, fracos com os fortes. Este é o retrato fiel de uma direita cobardolas que existe para fazer o serviço sujo dos grupos económicos que, generosamente, a financia e a promove sem olhar a custos.

E esta direita faz bem o seu trabalho, alimenta ódios e preconceitos, enquanto vai distraindo o país dos níveis históricos de desigualdade e de concentração de riqueza que se acumula nas mãos de uns quantos.

A direita que se preocupa com os gastos em apoios sociais, é a mesma direita que convive alegremente com 1741 milhões de euros em benefícios fiscais para residentes não habituais. Um valor equivalente a 270 novos comboios, 12 mil casas novas ou 3 vezes todo o Orçamento do Estado para a Cultura.

Esta direita que te diz que aumentos de salários só com aumentos de produtividade, esconde que a produtividade aumenta, esconde que 19 grupos económicos diariamente acumulam lucros de 30 milhões de euros. Esconde uma banca que lucra 5 milhões por dia e que passa incólume aos problemas do país.

Esta direita que rebola e dá a patinha ao poder económico, está bem treinada pelo dono e mostra o dente e morde em quem trabalha, preparando-se para aprovar um pacote laboral que coloca todos os trabalhadores numa posição de maior fragilidade perante os patrões.

Entretanto, como todos sabemos, os principais problemas do país não são os baixos salários e a precariedade, são os imigrantes, os ciganos e os impostos. Vamos todos fingir que acreditamos?

É preciso desmontar esta cortina de fumo e lembrar que a verdadeira causa dos problemas reside nas escolhas políticas que perpetuam privilégios e negligenciam quem constrói o país. Enquanto se alimentam distrações, os grandes interesses continuam a ditar as regras, tornando cada vez mais difícil para quem trabalha ter acesso a uma vida digna e a serviços públicos de qualidade.

O debate não pode ser sequestrado por falsas prioridades; é hora de exigir um outro rumo para o país, com justiça social e transparência, para que o país avance sem deixar ninguém para trás.

João Afonso Luz – Jurista