Reforçar qualidade do ensino e ligação às empresas e à região

Angela Lemos mandato 2026

Reeleita presidente do IPS, Ângela Lemos inicia um novo mandato com a ambição de reforçar a qualidade do ensino, aprofundar a investigação aplicada e fortalecer a ligação da instituição ao tecido económico e social da região. Em entrevista, faz o balanço dos últimos anos, aponta prioridades para o futuro e destaca projetos estruturantes, como a nova Escola Superior de Sustentabilidade, Indústria e Tecnologias Digitais em Sines.

Foi reeleita para liderar o IPS. O que significa para si esta renovação de confiança?

Representa um compromisso coletivo com o futuro do Politécnico de Setúbal. No último mandato consolidámos projetos estruturantes que reforçaram a instituição. Este novo ciclo permitirá continuar esse trabalho, com estabilidade e visão estratégica, mantendo o IPS como referência no Ensino Superior e no desenvolvimento regional.

E qual é a primeira prioridade deste novo mandato?

A prioridade central é reforçar a qualidade do ensino e a experiência dos estudantes. Queremos promover o sucesso académico, garantir inclusão e bem-estar, e preparar diplomados capazes de responder aos desafios do mercado de trabalho.

Já há projetos concretos ligados a isso?

Sim, o projeto da Escola Superior de Sustentabilidade, Indústria e Tecnologias Digitais, em Sines, é fundamental e está alinhado com essa prioridade.

Como avalia o trabalho feito nos últimos anos?

O balanço é positivo. Consolidámos a governação institucional, reforçámos a investigação e a internacionalização, investimos em infraestruturas, como, por exemplo, o novo edifício da Escola Superior de Saúde e o alojamento estudantil, e aprofundámos a ligação ao território. A acreditação máxima pela A3ES e o reconhecimento de cinco unidades de investigação pela FC são outros pontos concretos desse progresso.

Tendo em conta esse percurso, o que pretende mudar ou aprofundar no próximo ciclo?

Queremos dar um salto qualitativo em investigação aplicada, internacionalização e formação avançada. Isso inclui programas de doutoramento, reforço da ligação ao tecido económico e social, e modernização e digitalização do ensino e das estruturas de apoio.

Como está hoje a procura pelos cursos do IPS?

Posso afirmar que apesar de um decréscimo nas colocações no último Concurso Nacional de Acesso, devido ao novo modelo de acesso, a procura continua sólida em CTeSP, licenciaturas, mestrados e pós-graduações. A oferta está a diversificar-se, com novas modalidades de ensino e microcredenciais, para diferentes perfis de estudantes.

Podemos saber que áreas estão a crescer mais?

Posso destacar as de Tecnologia, Sustentabilidade, Indústria e Saúde. A formação de professores também vai aumentar significativamente, respondendo à necessidade nacional.

Podemos antever algum plano para a introdução de novos cursos?

Estamos a refletir estrategicamente sobre a oferta formativa, o que deve resultar em novos cursos, reestruturações e adaptações às necessidades emergentes dos estudantes e do mercado. Tudo isto, tendo em atenção os diferentes perfis de estudantes, da sociedade e da região e do mercado de trabalho.

E como se garante que os diplomados estão preparados para a esfera laboral?

Pois, nesse caso, a ligação permanente às empresas e instituições da região é crucial. No nosso caso, envolvemos parceiros externos no diálogo sobre competências, reforçamos habilidades técnicas e comportamentais, e temos programas como o Passaporte para o Emprego, que prepara os estudantes para comunicação, trabalho em equipa e adaptação a contextos profissionais.

O IPS também envolve os diplomados já no mercado?

Sim, claro, convidamos regularmente ex-alunos como oradores ou mentores. Tudo isso é complementado por componente prática, laboratorial e inovação pedagógica, alinhando competências às exigências profissionais.

Nesse reforço de ligação às empresas. Que resultados estão já consolidados?

Os resultados são concretos. Desenvolvemos investigação aplicada, inovação e colaboração com empresas. A incubadora IPStartUp apoia novos projetos empresariais, e a Plataforma Dinamiza aproxima organizações da região a soluções desenvolvidas pelo IPS.

Pode dar um exemplo específico?

Para dar um exemplo, trabalhamos com a Lauak Portugal no fabrico aditivo (impressão 3D) para componentes de aeronaves. Além de que, entre outros setores, participamos também em Agendas Mobilizadoras do PRR, em setores estratégicos como aeroespacial e automóvel.

Qual o papel do Instituto no desenvolvimento económico da Península de Setúbal?

Somos uma instituição âncora, formando profissionais qualificados, promovendo investigação aplicada e parcerias com empresas e autarquias. Queremos ser ativos na nova configuração territorial com a CIM e nas decisões estratégicas do território. A cooperação entre instituições, empresas e comunidade, com o IPS como eixo articulador, é decisiva.

Convicções e compromisso motivam liderança

Ângela Lemos acredita que daqui a dez anos o IPS será “uma instituição ainda mais forte, com maior projeção internacional, investigação consolidada, oferta formativa diversificada e ligação profunda ao território”. Com seis escolas, incluindo a Escola Superior de Sustentabilidade, Indústria e Tecnologias Digitais em Sines, a presidente reeleita não tem dúvidas de que a ação do Instituto “contribuirá muito para a coesão territorial da região. Sobre as suas motivações para a liderança, afirma que tem a “convicção no valor transformador do ensino superior e no potencial do IPS para desenvolver pessoas e a região”. E acrescenta: “Liderar com rigor, transparência e ética é um compromisso que assumo com o serviço público e com o futuro do IPS.

E na investigação aplicada, onde podem ir mais longe?

É um dos objetivos, nomeadamente consolidando unidades de investigação, aumentando participação em projetos nacionais e internacionais, e desenvolvendo doutoramentos que reforcem ciência, inovação e transferência de conhecimento com impacto na sociedade.

Quais os principais desafios dos estudantes hoje?

Adaptação ao ensino superior, exigências académicas e difi culdades económicas. Temos programas de mentoria, apoio social e promoção da saúde mental. É também um desafio envolvê-los ativamente na vida académica, com atividades sociais, culturais e desportivas. E tudo isso faz parte da nossa estratégia.

Todavia, o alojamento continua a ser um problema?

Sim, sem dúvida. Este ano tivemos de reduzir oferta devido a obras, mas nenhum estudante ficou desassistido. Com o PRR, aumentaremos 180 camas em Setúbal, Barreiro e Sines, totalizando 476 camas.

Para além disso, pergunto como melhorar o bem-estar dos estudantes?

Reforçando os Serviços de Ação Social, ampliando apoio psicológico e promovendo estilos de vida saudáveis, garantindo políticas estruturais que permitam às instituições implementar essas medidas.

Sente que existe no IPS grande envolvimento dos estudantes na vida académica?

Tem sido positivo, mas queremos mais. Há participação em associações, projetos culturais, desportivos e voluntariado. Precisamos de encontrar novas formas de envolvimento, adaptadas a perfis variados: trabalhadores-estudantes, pais, internacionais e adultos.

Que estratégia seguem para atrair mais estudantes internacionais?

Reforçamos a internacionalização do currículo, cursos em inglês, parcerias internacionais e divulgação em mercados estratégicos, como países lusófonos e América Latina. A Aliança Europeia E³UDRES² aumenta mobilidade, projetos conjuntos e investigação.

Tem havido novas parcerias internacionais?

Há sempre, é um desígnio, destaco neste caso a E³UDRES² e parcerias estratégicas com o Brasil, visando graus conjuntos e colaboração académica e científica.

Aludo à sua experiência para lhe perguntar quais são os desafios do Ensino Superior Politécnico no país?

Ainda são muitos, como a evolução demográfica, transformação digital, necessidade de financiamento sustentável e adaptação às exigências do mercado. A integração da IA no ensino e investigação é um desafio crucial, exigindo preparação de professores e estudantes. São caminhos que têm que continuar a ser mantidos na agenda.

E o que deveria mudar nas políticas públicas?

É preciso criar condições iguais para trabalho igual, rever estatuto da carreira docente e modelo de financiamento. Apesar dos politécnicos poderem conferir doutoramento, é essencial reconhecer o papel deles na formação avançada e investigação aplicada.

Mudando de tema qual é, efetivamente, o impacto do IPS na região?

É muito significativo. Cerca de metade dos cursos tem desemprego abaixo de 2%, e áreas como Tecnologias de Energia, Educação Básica ou Enfermagem praticamente não têm desemprego. Cerca de 90% dos diplomados permanecem na região. É claramente relevante no quadro regional.

Há impacto além da formação?

Sim, colaboramos com municípios em projetos sociais, empreendedorismo e inclusão. Desenvolvemos turismo acessível e apoio a banhistas com mobilidade reduzida. No setor científico, temos o projeto PRIMED, uma plataforma de imagiologia médica baseada em IA, em parceria com o Instituto CCG/ZGDV e unidades de saúde locais.

Como reforçar ainda mais essa ligação à comunidade?

Continuando parcerias com autarquias, empresas e organizações sociais, criando projetos que respondam às necessidades concretas do território.

Como se integra o IPS na nova CIM?

Para já, queremos um papel ativo na definição de estratégias de desenvolvimento territorial e inovação, colaborando em projetos com impacto local.

Nova Escola Superior em Sines: Sustentabilidade, Indústria e Tecnologias Digitais

A novidade mais recente que orgulha Ângela Lemos é a recente aprovação pelo Ministério da Educação, Ciência e Inovação da nova Escola Superior do IPS em Sines. A presidente considera que a o avanço deste projeto “assume um papel estruturante para o futuro do Alentejo Litoral, respondendo à crescente necessidade de profissionais altamente qualificados em áreas estratégicas”.

Recorde-se que esta será a sexta escola do IPS e permitirá, pela primeira vez, oferecer no território uma formação contínua em Ensino Superior público, desde os CTeSP até programas de doutoramento.

Com a denominação Escola Superior de Sustentabilidade, Indústria e Tecnologias Digitais, o projeto foi desenvolvido com a participação de vários parceiros regionais, destacando-se a Câmara Municipal de Sines, que cedeu o terreno para o novo edifício e se comprometeu com o co-financiamento da sua construção.