APSS promete condições para todos os operadores em Sesimbra

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A Administração dos Portos de Setúbal e Sesimbra (APSS) garante que a expansão e reorganização do porto de Sesimbra vai criar 126 novos lugares de acostagem, tendo em conta os interesses do Clube Naval, de pescadores e operadores marítimo-turísticos.

“O que nós vamos tentar fazer – e vamos fazê-lo entre as três entidades, a atividade portuária, o Clube Naval e a marítimo-turística – é organizar o espaço da doca para que todos possam trabalhar”, disse Nuno Viterbo, da APSS.

O vogal executivo do conselho de administração falava aos jornalistas à margem de uma iniciativa dos Portos de Lisboa e Setúbal sobre a relação entre os dois portos e as respetivas cidades, realizada na quarta- feira na Casa da Baía, em Setúbal.

“Existe um projeto do Clube Naval de Sesimbra de ampliação da sua área de doca de recreio, mas o pressuposto é que 40% a 50% dos lugares novos serão destinados às embarcações marítimo-turísticas”, acrescentou, convicto de que o projeto poderá estar concluído no próximo ano de 2027.

O esclarecimento da APSS surge na sequência dos receios manifestados pelos operadores marítimo- turísticos de que grande parte do espaço entre os cais 1 e 2 do porto de Sesimbra fosse cedida ao Clube Naval para a náutica de recreio, deixando apenas uma pequena parte disponível para estes operadores.

A preocupação do setor foi expressa após um comunicado do Clube Naval aos seus associados, a que a Lusa teve acesso, a dar conta de que o projeto de expansão do porto de recreio iria disponibilizar “mais de 120 novos postos de acostagem […] e cerca de 30 postos de amarração destinados a empresas marítimo- turísticas”.

A Associação Portuguesa de Empresas de Congressos, Animação Turística e Eventos (APECATE) advertiu na semana passada para as consequências negativas para a atividade económica resultantes da atribuição de grande parte do espaço do porto de abrigo à náutica de recreio, em detrimento do setor, que atualmente tem mais de 90 embarcações a operar no porto de Sesimbra.

“A concretização desta decisão reduzirá drasticamente o espaço disponível para estas empresas, deixando apenas cerca de 30 lugares para um setor que hoje representa um dos principais motores da economia local, ao mesmo tempo que reforça a capacidade da náutica de recreio, que já dispõe de aproximadamente 300 lugares”, afirmou a APECATE, em comunicado.

Após uma reunião realizada na semana passada com a APSS, o dirigente da APECATE José Saleiro admitiu, no entanto, que a administração portuária disse não haver qualquer compromisso formal previamente assumido com o Clube Naval de Sesimbra para a atribuição de postos de amarração.

“O que a APSS nos disse, de facto, é que está a procurar uma solução, que não vai descurar a marítimo- turística de forma nenhuma, que compreende o peso e a importância que nós temos enquanto setor de desenvolvimento económico e estratégico para o concelho dentro do porto de Sesimbra, e que isso não será descurado”, acrescentou.

Segundo José Saleiro, para a APECATE é essencial haver uma clarificação do uso da área em causa “para garantir estabilidade ao setor, melhorar as condições de operação e permitir investimentos em embarcações e infraestruturas, incluindo soluções como pontões e ‘fingers’ (plataformas flutuantes estreitas, perpendiculares ao passadiço principal de uma marina, que se assemelham a dedos, daí o nome em inglês), que servem para facilitar o acesso às embarcações e aumentar significativamente a capacidade de acostagem.

Sem essa definição, alertou, a atividade marítimo-turística continuará a funcionar de forma “informal e precária”, com impactos na qualidade do serviço, na competitividade e na capacidade de reduzir a sazonalidade do turismo na região.

Dados disponibilizados pela associação indicam que no período de verão o setor regista um “fluxo superior a 40.000 participantes por mês, gerando receitas que ultrapassam os seis milhões de euros mensais, com reflexos em toda a cadeia de valor do turismo”.

A agência Lusa tentou também ouvir já na semana passada o Clube Naval de Sesimbra, mas não foi possível.