O último revés aconteceu com o horário de atendimento no Centro de Saúde da vila, que deixou de funcionar no período noturno. Também em Melides houve mudanças, com o atendimento a passar para três dias, em vez de cinco.
A câmara de Grândola está preocupada com o estado dos cuidados de saúde no concelho, depois de terem entrado em vigor novas limitações no atendimento médico na vila e em Melides.
A situação agravou no início deste mês, altura em que o Centro de Saúde de Grândola deixou de assegurar consultas entre as 20h00 e as 22h00 nos dias úteis, na sequência da redução do número de médicos disponíveis. Em Melides, o atendimento passou de cinco para três dias por semana.
Para o presidente da autarquia, Luís Vital Alexandre, os constrangimentos agora visíveis resultam de problemas estruturais que se arrastam há vários anos. “As muitas carências não são de hoje e há muito tempo que o cenário se vem agravando. O Centro de Saúde não capta novos médicos há muito tempo, facto pelo qual, no espaço de dois anos, se aposentam quatro clínicos. Esta questão deveria ter sido precavida. O que se passa hoje é a consequência de uma política continuada de passividade relativamente à incapacidade de captação e retenção de médicos”, afirma.
O autarca reconhece que a atual pressão imobiliária dificulta a fixação de profissionais, mas rejeita que essa seja a principal explicação. “A crise na habitação veio agravar o problema, mas este diagnóstico é muito anterior ao problema da habitação que conhecemos hoje. É demagógico justificar esta situação com a crise da habitação”, sustenta.
Perante o agravamento das dificuldades, a autarquia defende a criação de medidas concertadas para atrair e reter profissionais, envolvendo o Ministério da Saúde, a Unidade Local de Saúde do Litoral Alentejano (ULSLA), a Comunidade Intermunicipal do Alentejo Litoral (CIMAL) e os municípios da região.
“Propusemos ao Ministério a criação de um grupo de trabalho que integre a ULSLA, a CIMAL e os municípios para definir um programa de incentivos à captação e retenção de profissionais de saúde para o Alentejo Litoral. Uma vez que a tutela não assume a dianteira, avançámos nós com a proposta. Aguardamos, com expectativa, a resposta”, explica.
O autarca acrescenta ainda que o município está disponível para colaborar, mas considera essencial que existam responsabilidades partilhadas entre o poder local e a administração central.
Enquanto aguarda uma resposta da tutela, a autarquia já avançou com algumas medidas de apoio. Entre elas está a disponibilização de uma habitação municipal à ULSLA para acolher profissionais que venham exercer funções no concelho.
Segundo Luís Vital Alexandre, o imóvel poderá receber, de forma temporária, entre quatro e seis profissionais de saúde.






