Nova CIM reúne os nove municípios da região num fórum em Palmela para definir prioridades para o próximo ciclo comunitário e afirmar uma nova identidade estatística fora da Área Metropolitana de Lisboa.
A Península de Setúbal vai iniciar um novo ciclo de planeamento estratégico com a realização do Fórum «Península de Setúbal — Uma Visão Estratégica para a Região», marcado para hoje, no Cine-Teatro S. João, em Palmela. O encontro será o primeiro grande momento público da recém-criada Comunidade Intermunicipal (CIM) da Península de Setúbal e pretende lançar as bases de uma agenda comum para os próximos anos.
Criada em dezembro de 2025, a nova CIM junta os nove municípios da região — Almada, Seixal, Barreiro, Moita, Montijo, Alcochete, Palmela, Setúbal e Sesimbra — representando um território com mais de 800 mil habitantes. O objetivo passa por construir uma estratégia conjunta e reforçar a capacidade de negociação da região junto do Estado e da União Europeia.
O fórum acontece num momento considerado decisivo para a Península de Setúbal, depois de mais de uma década em que o território esteve integrado, para efeitos estatísticos e de acesso a fundos comunitários, na Área Metropolitana de Lisboa. Essa classificação colocou a região, apesar de apresentar níveis de desenvolvimento económico inferiores à média europeia, no grupo das regiões consideradas mais desenvolvidas.
Segundo um estudo da Associação da Indústria da Península de Setúbal (AISET), esta situação terá representado uma perda estimada de cerca de dois mil milhões de euros em cada quadro comunitário de apoio, devido a menores taxas de comparticipação europeia e a um acesso mais limitado aos fundos de coesão.
Com a nova realidade estatística e institucional, a CIM pretende preparar a região para o próximo quadro comunitário pós-2030, defendendo um modelo que permita captar mais investimento para áreas como mobilidade, infraestruturas, qualificação, inovação, emprego e transição energética.
«Este fórum é o primeiro passo público da nossa comunidade e o início de uma conversa que a região nunca teve em conjunto: decidir, a nove, o que queremos ser nas próximas décadas», afirma Frederico Rosa, presidente da CIM da Península de Setúbal. «Não viemos celebrar uma estrutura; viemos começar a trabalhar na estratégia que vai fundamentar a negociação dos próximos fundos europeus e transformar a nova realidade estatística da Península em investimento concreto.»
O encontro reunirá representantes do Governo, autarquias, administração regional, instituições públicas, universidades, associações empresariais e agentes económicos. Os trabalhos estarão centrados em quatro grandes desafios: qualificação e atração de talento, transição digital, transição energética e economia circular.
A estratégia em construção assenta em quatro prioridades: afirmar a Península de Setúbal como território industrial de referência, reduzir desigualdades internas e metropolitanas, acelerar a transição verde e consolidar um modelo de governação intermunicipal.
Ao longo do dia serão debatidos temas como fundos europeus e governação multinível, competitividade económica, formação profissional, agricultura sustentável, turismo e infraestruturas estratégicas. Entre os assuntos em destaque estarão o futuro aeroporto, a terceira travessia do Tejo, a ferrovia, os portos, a rede rodoviária e a mobilidade metropolitana e intermunicipal.
A sessão de abertura contará com intervenções da presidente da Câmara Municipal de Palmela, Ana Teresa Vicente, da presidente da CCDR-LVT, Teresa Almeida, do secretário de Estado da Administração Local, Silvério Regalado, e do presidente da CIM da Península de Setúbal e da Câmara do Barreiro, Frederico Rosa. O encerramento estará a cargo de Paulo Silva, presidente da Câmara do Seixal e vice-presidente d Conselho Intermunicipal.
Entre os participantes, para além dos dirigentes da CIM, estarão representantes da Agência para o Desenvolvimento e Coesão, CCDR-LVT, Área Metropolitana de Lisboa, AISET, Mota-Engil, FCT/NOVA, Instituto Politécnico de Setúbal, IEFP, Egas Moniz, ATEC, ADREPES, ArtesanalPesca, Comissão Vitivinícola Regional da Península de Setúbal, Turismo da Região de Lisboa, ICNF, Infraestruturas de Portugal, Ordem dos Engenheiros, Transportes Metropolitanos de Lisboa e Autoridade da Mobilidade e dos Transportes.
O objetivo final do fórum é criar uma Agenda Estratégica Regional, com projetos prioritários e investimentos estruturantes, capaz de reforçar o peso da Península de Setúbal nas decisões nacionais e europeias e transformar a nova organização territorial numa oportunidade de desenvolvimento económico e social.



