Nuno Valente promete um Chega mais combativo e exigente

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Vereador no Montijo quer um partido mais unido e com maior coerência ideológica entre os eleitos do distrito. Promete reforçar o apoio aos autarcas e anuncia a realização da primeira Convenção Autárquica Distrital, em setembro.

O novo presidente da Comissão Política Distrital de Setúbal do Chega, Nuno Valente, defende um partido mais combativo, sustentando que os autarcas eleitos devem assumir uma postura mais exigente perante os executivos municipais.

Eleito a 28 de junho, derrotando o deputado e vereador da câmara de Sesimbra, Nuno Gabriel, o também vereador na autarquia do Montijo, pretende imprimir uma maior uniformidade política e ideológica à atuação dos eleitos do partido no distrito, objetivo que considera ainda não plenamente alcançado.

“Temos de ser mais firmes, porque estamos ali para defender o nosso mandato e a população que nos confiou essa responsabilidade. Acredito que já não é um mandato de protesto, mas de exigência, precisamente porque somos contra o chamado sistema. Temos compactuado com muitas coisas contrárias ao ADN do partido e temos de limar essas arestas”, afi rma ao Semmais.

Nuno Valente considera que a falta de uniformidade entre os eleitos do Chega não resulta de uma atuação deliberada nem de má-fé, mas antes do “reduzido acompanhamento prestado aos autarcas e da escassa experiência e formação política” de muitos deles. “Daí a importância do acompanhamento da distrital. Não se trata de policiamento aos eleitos, mas os nossos autarcas não podem estar abandonados no combate político que têm de fazer”, sustenta.

O dirigente revela ainda que está a ser preparada, para setembro, a primeira Convenção Autárquica Distrital, iniciativa que pretende promover uma maior articulação entre os eleitos e defi nir linhas de atuação comuns.

Sobre o pedido de impugnação das eleições internas apresentado por um grupo de militantes – que alegava, entre outros aspetos, que Nuno Valente participou na presidência da mesa eleitoral apesar de ser candidato -, o novo líder distrital desvaloriza a situação e garante que o processo decorreu dentro das normas. “Acho que não tem fundamento. Temos a consciência tranquila de que cumprimos tudo. Aliás, a Mesa Nacional esteve presente durante todo o ato, havia delegados da outra lista e não foi levantada qualquer objeção em ata. Lamento que isto tenha sido levado para a imprensa e não resolvido internamente, nos devidos termos”, afirma.

Dirigente lança críticas à CIM e à AMRS

Questionado sobre a estratégia do partido para o distrito, Nuno Valente considera que os seis deputados eleitos pelo círculo de Setúbal têm mantido os principais problemas da região “bem presentes” na Assembleia da República. Ainda assim, entende que a imigração, a saúde e os investimentos estruturantes previstos para o território, como o novo aeroporto e a terceira travessia do Tejo, devem assumir prioridade na agenda política.

No diagnóstico que faz do distrito, o dirigente aponta diversas carências, que atribui a “50 anos de abandono” e a autarquias que, na sua perspetiva, “se transformaram em aparelhos partidários”.

Nesse contexto, critica o funcionamento da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal (CIM) e da Associação de Municípios da Região de Setúbal (AMRS). “Ao fim e ao cabo, quem decide é a CCDR e também a AML. Tanto a CIM como a AMRS tornaram-se espaços para os boys dos partidos”, acusa.