Uma mulher em Almada deu à luz uma menina em casa por falta de ambulâncias e recursos disponíveis no Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), denunciou hoje o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH).
O caso sucedeu na quarta-feira em Almada, no bairro do Torrão, depois de uma primeira chamada às 12:09 de quarta-feira, mas só meia-hora depois foi ativada uma ambulância, afirmou à Lusa Rui Lázaro, dirigente do STEPH, que critica a decisão do INEM de retirar uma centena de ambulâncias do terreno, algo já negado pela direção do instituto.
“A grávida foi triada com prioridade 2”, com hemorragia e dores fortes, mas o pedido de ajuda foi feito “em mais um período em que não haviam ambulâncias disponíveis” na zona.
A mulher, de 35 anos, deveria ter aguardado no máximo 16 minutos, mas só às 12:39 foi acionada uma ambulância da Trafaria, já depois de a criança, de nome Vitória, ter nascido e o processo ter sido classificado como “prioridade 1”, disse Rui Lázaro.
Exatos 16 minutos depois da chamada, “a bebé nasceu em casa com a ajuda dos vizinhos e felizmente correu tudo bem”, tendo-se deslocado ao local os bombeiros da Trafaria e a Viatura Médica de Emergência Rápida (VMER) de Almada, em “mais um caso que traz a nu as insuficiências do sistema”.
“A somar a isso, não havia hospitais também disponíveis e a menina e a bebé acabou por ir para a [Maternidade] Alfredo da Costa”, em Lisboa, acrescentou Rui Lázaro.
“Esta escassez de ambulâncias não é novidade e ontem [quarta-feira] chegaram a estar 60 ocorrências em espera por falta de ambulâncias”, isto “num momento em que se discute a retirada de 100 ambulâncias do sistema”, acusou o dirigente sindical.
“Esperemos que este caso sirva para que o governo reverta a decisão de retirar ambulâncias, que fazem falta ao sistema”, acrescentou ainda Rui Lázaro.
No fim de semana, o INEM recusou qualquer desmantelamento do dispositivo de emergência médica, inclusive a retirada de 100 ambulâncias, situação que, segundo denúncia feita pela Comissão de Trabalhadores do INEM, iria afetar 71 municípios portugueses, incluindo Lisboa e Porto.
“Não está em causa qualquer desmantelamento do dispositivo de emergência médica, a retirada de 100 ambulâncias do dispositivo operacional ou uma diminuição da capacidade de resposta às populações. Pelo contrário, o objetivo é reforçar a integração entre a emergência pré-hospitalar e os cuidados hospitalares, mantendo todos os meios integrados no Sistema Integrado de Emergência Médica (SIEM) sob coordenação nacional do INEM e acionamento pelos Centros de Orientação de Doentes Urgentes (CODU)”, afirmou o Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), em resposta à agência Lusa.
Em causa está a informação divulgada pela Comissão de Trabalhadores (CT) do INEM, denunciando a “retirada de 100 ambulâncias” do dispositivo operacional próprio do INEM e considerando que tal aumentará a pressão sobre os bombeiros e a Cruz Vermelha, com “um risco acrescido” para os utentes.
“Não estamos perante um reforço do Sistema Integrado de Emergência Médica. Estamos perante a retirada de 100 ambulâncias do dispositivo operacional próprio do INEM”, afirmou a CT, em comunicado, após declarações do presidente do INEM, Luís Mendes Cabral, numa entrevista transmitida na sexta-feira pela RTP, em que confirmou a transferência das ambulâncias de emergência médica do INEM para as Unidades Locais de Saúde (ULS) e a transformação das atuais ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) em viaturas ligeiras.






