Setúbal acolhe no sábado mais uma ação de protesto contra a privatização das praias

Protesto arrábida

A organização está a apelar a todos os cidadãos para que levem toalhas de praia, geleiras, chapéus de sol e boias para o protesto, marcado para as 19h00. A intenção é instalar uma multidão de banhistas em frente aos Paços do Concelho, gerando um impacto visual marcante que denuncie a tentativa de apropriação privada dos areais da região.

O movimento “Deslarrrguem a Arrábida!” realiza no sábado uma concentração, em formato de flashmob, na Praça do Bocage, em Setúbal, em protesto contra a tentativa de privatização de cinco praias e espaços naturais da Arrábida pela Herdade da Comenda.

Esta é já a terceira iniciativa do género do movimento. A primeira foi em junho e a segunda em julho.

Jaime Pinho, do grupo cívico, explicou, em declarações à agência Lusa, que esta é mais uma ação para não deixar esquecer a luta que tem sido encetada contra a tentativa de privatização daqueles espaços na Arrábida, defendendo a manutenção do livre acesso público.

Desta vez o movimento pretende de forma simbólica transformar o centro de Setúbal na “praia do Bocage”.

“Em cada iniciativa que fazemos as pessoas perguntam o que vamos fazer a seguir. Desta vez vamos criar uma praia privada junto à estátua do Bocage”, disse.

A organização está a apelar a todos os cidadãos para que levem toalhas de praia, geleiras, chapéus de sol e boias para o protesto, marcado para as 19h00.

A intenção é instalar uma multidão de banhistas em frente aos Paços do Concelho, gerando um impacto visual marcante que denuncie a tentativa de apropriação privada dos areais da região.

O ilustrador e cartoonista Nuno Saraiva juntou-se à iniciativa com a criação de um cartaz alusivo, tal como já o tinha feito o ilustrador Luís Cavaco em ações anteriores.

A iniciativa “Deslarrrguem a Arrábida!” é promovida pelos movimentos Reabrir a Galé e Dunas Livres, pelo professor universitário e ambientalista Viriato Soromenho-Marques e pelo Bloco de Esquerda de Setúbal.

Em julho centenas de pessoas participaram numa caminhada entre Setúbal e o Parque de Merendas da Comenda, numa ação que reuniu cidadãos, diversas associações ambientalistas e representantes de diferentes forças políticas.

A Sociedade Palácio da Comenda, SA, proprietária da Herdade da Comenda, tem a correr diversas ações judiciais, em que pretende ver reconhecida a “propriedade exclusiva” da faixa de terreno onde se desenvolve a via designada Caminho Municipal 1056, considerando que o mesmo é domínio privado.

Nos vários processos que estão a correr no Tribunal de Setúbal, os proprietários da Herdade da Comenda pedem que sejam considerados como domínio privado, e não domínio público, os terrenos das margens da propriedade Quinta Herdade da Comenda, que a sul confrontam as águas do estuário do rio Sado, incluindo cinco praias aí existentes (Rasca, Comenda, Rainha, Maria Esguelha e Albarquel), bem como os terrenos das margens da ribeira da Ajuda, da sua foz no estuário do rio Sado até ao Parque de Merendas da Comenda.

Tanto o Ministério Público como a Agência Portuguesa do Ambiente rejeitam a pretensão da Herdade da Comenda de obter a titularidade das praias.

A população de Setúbal tem-se deparado com cada vez maiores dificuldades no acesso às praias de Troia e da Arrábida, devido ao preço da travessia fluvial do Sado, mas também no acesso às praias da Arrábida, devido às restrições à circulação automóvel por razões de segurança.

Este ano, devido às tempestades de janeiro e fevereiro, que provocaram a queda de centenas de árvores e danificaram taludes e encostas da principal estrada de acesso às praias da zona, e à ameaça de derrocada de um bloco rochoso com cerca de duas mil toneladas entre as praias de Galapos e da Figueirinha, a Câmara de Setúbal decidiu privilegiar ainda mais os transportes públicos e agravou substancialmente as restrições à circulação automóvel.