Exportar é força e alavanca

Há numeros que dizem mais sobre uma região do que muitos discursos. O ranking das maiores empresas exportadoras do distrito de Setúbal é um desses casos.

À cabeça está, mais uma vez, a Autoeuropa, com um volume de negócios superior a 3,8 mil milhões de euros. Seguem-se a Navigator e a Repsol Polímeros, mas logo depois surge uma realidade que merece ser sublinhada: a diversidade. Automóvel, pasta e papel, química, siderurgia, portos, agroindústria, serviços e vinho fazem parte de uma economia que tem na exportação uma das suas principais forças.

Não é apenas uma questão de dimensão. É também de capacidade instalada, de conhecimento, de emprego e, sobretudo, de localização. A proximidade dos portos de Setúbal e Sines, a rede rodoviária e ferroviária e a ligação aos grandes mercados dão à nossa região condições que poucos territórios portugueses conseguem reunir.

Mas um ranking também deve servir para olhar para o que falta. Algumas das maiores empresas registaram quebras no volume de negócios e o emprego diminuiu em várias delas. E há setores, como o vinho, que continuam a reclamar condições mais equilibradas para competir.

É aqui que o futuro se decide. Os investimentos previstos nos portos, a modernização das infraestruturas, a transição energética e digital e a capacidade de atrair novas atividades podem transformar esta vantagem de localização numa vantagem de desenvolvimento.

A península e o nosso litoral alentejano já demonstram que sabem produzir e exportar. O desafio é garantir que conseguem fazê-lo mais, melhor e com maior valor acrescentado, criando riqueza e emprego que permaneçam na região.

Porque estes números não são apenas um ranking. São também uma oportunidade.