Há associações de caçadores nacionais e estrangeiras a competir pela atribuição dos 3.523 selos vermelhos. Na Arrábida estima-se que mais de 700 animais serão mortos.
A associação ambientalista Quercus pretende que se faça um levantamento rigoroso do número de javalis que existem na Arrábida (concelhos de Setúbal, Palmela e Sesimbra) antes que sejam autorizadas as ações de controlo de densidade (abate). Os ambientalistas entendem que a oferta de uma determinada quantia por cada animal morto com autorização do Estado poderá desencadear uma ação de extermínio desenfreada da espécie que, afirmam, não se encontra devidamente contabilizada.
“A Quercus não está contra o controlo e entende que todas as pessoas que têm sofrido prejuízos devem ser ressarcidas. No entanto, também achamos que é preciso executar as ações de controlo de densidade populacional tendo em conta o número de animais existentes, e isso ainda ninguém conseguiu dizer. Com o anúncio da oferta de dinheiro por cada exemplar abatido, corre-se o risco de estar a dizimar uma parte imensa da população”, disse ao Semmais o presidente regional da Quercus, Luís Silva.
“Há maneiras de calcular qual o número de animais existentes, identificando locais habituais de passagem e colocando nessas zonas equipamento que os fotografe. Essa seria uma opção válida e que serviria de base para calcular quantos exemplares existem”, adiantou o mesmo responsável.
Recentemente o Ministério da Agricultura e do Mar fez um despacho, ainda não publicado, em que refere que os caçadores devidamente licenciados poderão receber 50 euros por cada macho abatido e 70 por cada fêmea. Estes valores, sabe o nosso jornal, têm despertado uma corrida aos diversos serviços do Instituto de Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) do país, com diversas associações de caçadores, nacionais e estrangeiras, a pretenderem assegurar o máximo de selos vermelhos (autorizações de abate) para os seus associados.
Para a época cinegética em curso, que deverá findar em maio do próximo ano, existe uma estimativa do ICNF que prevê o abate de cerca de 6.450 javalis caso se confirme a estimativa de que serão abatidos 80 por cento dos animais cujo controlo de densidade populacional foi autorizado.
O nosso jornal apurou que foram autorizadas para esta época, em toda a região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT), 276 ações de controlo de densidade excessiva, ao passo que no ano anterior haviam sido autorizados 191 pedidos.
De acordo com as estimativas oficiais, a efetivação de 80 por cento dos abates autorizados (estão atribuídos 3.523 selos vermelhos) deverá redundar, na zona de LVT, no abate de 6.450 javalis. Para a Arrábida o número de animais mortos deverá ultrapassar os 700 contabilizados durante a última época cinegética.






