O santuário de elefantes da Pangea, no Alentejo, vai receber um segundo inquilino em meados de novembro e estão em curso conversações para a chegada de um terceiro no início do próximo ano, foi hoje revelado.
Numa visita de imprensa ao santuário, localizado em terrenos situados nos concelhos de Vila Viçosa e Alandroal, distrito de Évora, o gestor, Ryan Hockley, indicou à agência Lusa que o elefante fêmea Kariba deverá chegar “por volta da segunda semana de novembro”.
“A Kariba chega no próximo mês e, depois, um terceiro elefante, talvez no início do próximo ano”, adiantou, manifestando o desejo de que o santuário da Pangea possa continuar, nos próximos anos, “a receber novos elefantes todos os anos”.
O responsável realçou que estão “várias conversações a decorrer” para a chegada de um terceiro animal, mas escusou-se a avançar com detalhes por ser “um assunto delicado para qualquer jardim zoológico ou para as pessoas que o visitam regularmente”.
Sobre a Kariba, que vive atualmente num jardim zoológico da Bélgica, o gestor do santuário explicou que este elefante fêmea já era para ter chegado ao Alentejo, mas a sua vinda foi adiada por questões de saúde.
“Temos que nos certificar que o elefante está suficientemente forte”, pois, “precisa de passar, no mínimo, 36 horas no transporte” até Portugal “e isso pode representar um grande esforço para qualquer animal”, frisou.
Ryan Hockley referiu que, atualmente, Kariba “está em muito melhor estado do ponto de vista médico”, daí estar confiante de que o animal possa chegar dentro de cerca de três semanas.
A equipa do santuário já está a preparar um plano para que Julie, chegada há pouco mais de três meses ao espaço, e Kariba “criem uma forte ligação, sejam companheiras para toda a vida e partilhem o mesmo espaço”.
“Quando apresentarmos a Kariba e a Julie, vamos colocar uma barreira entre elas para garantir que ambas ficam em segurança e, depois, limitamo-nos a observar os comportamentos, a forma como interagem fisicamente e os sons que emitem”, salientou.
Assinalando que ambas são africanas e têm cerca de 45 anos, o gestor disse que, se forem observados “progressos positivos” nestas áreas, as duas “poderão ser integradas no mesmo espaço muito rapidamente”.
“Mas, se for preciso algum tempo para que esses comportamentos positivos se concretizem de facto, não precisamos de apressar nada. Vamos fazê-lo ao ritmo delas e da forma que melhor lhes convier”, vincou.
Também em declarações à Lusa, Johnny Nascimento, tratador e coordenador de operações do santuário, revelou que Julie, o último elefante de circo em Portugal, “chegou um bocadinho tímida”, mas no espaço de duas semanas adaptou-se ao santuário.
Nos primeiros dias, recordou, este elefante fêmea saía dos estábulos muito pouco, mas, com o passar do tempo, “começou a caminhar mais” e, agora, até “tem criado os trilhos” no espaço exterior, que tem cerca de três hectares de área.
“Tem passado mais tempo cá fora. Pelas câmaras temos reparado que ela talvez passe cá fora 18, 19 ou 20 horas” por dia, conta, relatando que usufrui também do lamaçal existente na área, onde até costuma dormir, lançando lama para o corpo, de forma a arrefecer nos dias de calor e a manter os insetos afastados.
Além deste espaço exterior, o santuário possui estábulos, com capacidade para cinco animais e onde são efetuados os treinos de comportamentos médicos para mais tarde serem recolhidas amostras de sangue ou feitos exames, assim como medições, como a pesagem.
Com 2,65 metros de altura e 2.930 quilos de peso, Julie come todos os dias entre 80 a 100 quilos de feno de aveia, ração, ramos e arbustos e uma pequena quantidade de fruta e vegetais.
A Pangea tem planos para aumentar, no próximo ano, o espaço exterior do santuário destinado aos elefantes, passando dos atuais três hectares de área para os 30.
Considerando “o primeiro grande santuário da Europa”, a reserva, que abre pontualmente para visitas de grupos, destina-se a elefantes que viveram em cativeiro. Tem capacidade para 30 animais e está previsto um investimento de 15 milhões de euros, em cerca de 10 anos.






