Um terço dos autocarros da margem Sul já são elétricos ou a gás

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A Carris Metropolitana tem como objetivo chegar a 2030 com toda a frota constituída por viaturas amigas do ambiente. Na península há dificuldade em acionar novas carreiras devido à inexistência de terminais rodoviários.

Mais de um terço um terço dos autocarros que fazem serviço nas áreas 3 e 4 (os nove concelhos da península de Setúbal) da Carris Metropolitana são elétricos ou movidos a gás natural. Ao todo são 236 viaturas, correspondentes a 36,36 por cento da totalidade das que ali operam. A empresa e os operadores locais consideram que é possível atingir as metas ambientais traçadas para 2030, tendo a circular a totalidade da frota sem recurso a energias poluentes.

O propósito da descarbonização total da Carris Metropolitana foi salientado, na passada semana, pelo presidente da TML, Carlos Humberto, e pela secretária de Estado da Mobilidade, Cristina Pinto Dias, durante uma cerimónia realizada na Póvoa de Santa Iria, Loures, onde foram anunciadas mais viaturas elétricas para operarem na margem Norte.

Falando sobre a renovação da frota que opera na margem Sul, Carlos Humberto reconheceu que já existe uma aprovação do Tribunal de Contas para que possam ser adquiridos novos autocarros elétricos ou movidos a gás. “Precisamos de mais transporte e de mais oferta, mas as estradas não ajudam e os terminais são um problema muito sério. Por vezes temos de desistir de colocar novas carreiras a funcionar porque, simplesmente, não temos onde parar”, referiu.

O presidente da TML salientou, por outro lado, que para dar cumprimento aos objetivos traçados, será necessário mais dinheiro. “A bilhética é importante, mas não chega. Em 2030 queremos que todos os autocarros sejam elétricos. Não sei se será possível, porque os custos são muito elevados”, acrescentou.

Já a secretária de Estado da Mobilidade acentuou a necessidade de haver mais pessoas a utilizarem os transportes públicos, referindo que “é necessário combater a pobreza da mobilidade” e “dar mais conforto e qualidade” aos passageiros. Sobre o reforço de autocarros elétricos nas diversas áreas de atuação, Cristina Pinto Dias foi explicita quando anunciou que “não precisamos de um comboio em cada concelho do país, mas precisamos de ter mobilidade em cada freguesia”.

17 por cento da frota respeita o ambiente

Respondendo a uma solicitação do Semmais, a empresa explicou, relativamente às zonas de operação na península, que possui atualmente 358 veículos na área 3 (Almada, Seixal e Sesimbra), dos quais 43 são elétricos e 17 são movidos a gás natural comprimido. O total de 60 viaturas com tecnologias ambientalmente mais sustentáveis corresponde a 17 por cento da frota.

Em relação à área 4 (Setúbal, Alcochete, Moita, Montijo, Palmela e Barreiro), operam um total de 291 veículos, sendo 136 totalmente elétricos e 40 movidos a gás. Esta frota está, portanto, equipada com 60 por cento de viaturas sustentáveis.

A transportadora acrescentou ainda que há três anos, quando foram assinados os contratos com as diversas operadoras, apenas se previa que cinco por cento das viaturas fossem “amigas do ambiente”. A aposta neste tipo de veículos, também assente em comparticipação de fundos via PRR, resultou, portanto, num aumento de veículos superior a 31 por cento.

“Quanto a eventuais investimentos em 2027, é possível que a frota venha a ser reforçada com veículos elétricos. No entanto, uma vez que estes investimentos dependem, entre outros fatores, de candidaturas a fundos de financiamento e dos prazos de produção e entrega dos veículos, incluindo os fabricados fora do território europeu, ainda não é possível confirmar novas aquisições, o respetivo calendário ou os montantes envolvidos”, respondeu a empresa ao nosso jornal.