Docência – Património da Humanidade

Há um cansaço na nossa docência que muito poucas pessoas compreendem.

O professor, figura central no processo educativo, trabalha todos os dias sob dezenas de olhares postos em si, perante uma intensa avaliação social.

O sentirem-se observados, avaliados ou interpretados por outros, aumenta no cérebro a vigilância e a autorregulação emocional.

Digamos que não é apenas dar uma aula; é explicar, observar, decidir, gerir comportamentos, responder a perguntas, ler expressões, conter emoções e, ao mesmo tempo, continuar disponível perante tudo isto.

Por isso, muitos professores não chegam às férias apenas cansados do seu importante trabalho pedagógico, mas também por estarem permanentemente a ser o alvo de diversas situações.

Quando as férias começam, a ausência desses olhares pode provocar uma coisa curiosa: primeiro, um certo alívio; depois, o vazio e, muitas vezes, a fadiga que finalmente aparece.

O corpo e a própria mente, que passaram meses em modo de resposta, percebem agora que não precisam de estar sempre prontos a agir.

A melhor imagem dessa realidade de recuperação é como algo silencioso depois de muito ruído.

Efetivamente, não é a ausência de vida, mas sim a sedimentação de forças para a sua missão de sacerdócio.

Eu compreendo, e por isso aprecio os professores que fazem comunicações e investem em formações com o intuito de obter mais-valias.

Ensinar é uma das profissões mais belas. É a forma mais intensa de lançar, continuamente, sementes na transformação e valorização de uma sociedade desassociada de valores sociais e morais.

Um professor tem de saber intervir nas necessidades de cada aluno, motivar e ter como prioridade ajudar a superar os desafios. Mais do que isso, deve ser o mentor e líder do aluno, encetar formas de o enriquecer no aspeto educacional e intelectual para um futuro de sucesso na sua vida.

Por tudo isto, o papel do professor tem de ser mais respeitado e valorizado, tanto num desenvolvimento sustentável no aspeto financeiro como numa carreira atrativa.

Direi mesmo que os professores devem ser, inquestionavelmente, considerados como Património da Humanidade.

Artur Vaz – escritor