Pobreza afeta 18,9 por cento da população da Península de Setúbal

Pobres

A Península de Setúbal é a quarta região de Portugal continental com maior risco de pobreza e exclusão social. Mais de 160 mil pessoas enfrentam dificuldades económicas. Na população sem-abrigo sinalizada, cerca de 20% são estrangeiros.

A Península de Setúbal é a quarta região de Portugal continental com maior risco de pobreza e exclusão social. Segundo os dados mais recentes do relatório do Observatório Nacional de Luta Contra a Pobreza, relativos a 2025, 18,9% da população dos nove concelhos da região é afetada por dificuldades económicas e sociais, uma proporção 0,6 pontos percentuais acima da média nacional.

Os indicadores apontam para mais de 160 mil pessoas em situação de carência monetária ou social. Entre os critérios considerados estão rendimentos mensais inferiores a 723 euros e a incapacidade de suportar despesas essenciais, como o pagamento atempado de contas, o aquecimento da habitação ou o consumo regular de carne ou peixe.

Uma das conclusões do relatório é que o risco de pobreza já não está necessariamente associado ao desemprego. Os dados contrastam, porém, com os valores médios salariais divulgados pela Segurança Social, que apontavam para 1.639 euros mensais no distrito de Setúbal em abril de 2026, acima dos 1.542 euros registados em 2025. O concelho de Sines, com uma média de 1.925 euros, contribui para elevar o valor regional.

Na pobreza monetária, a Península de Setúbal continua também entre as regiões mais afetadas, com 15,7% dos residentes abaixo do limiar considerado.

Contactada pelo Semmais, a Cáritas Diocesana de Setúbal confirma dificuldades crescentes, incluindo entre famílias da classe média. O presidente da instituição, Paulo Valente da Cruz, aponta a ajuda alimentar e, sobretudo, a habitação como áreas de maior preocupação.

“Não existe fome, porque vamos conseguindo arranjar alimentos, mas existe pobreza”, afirma, sublinhando que “os aumentos salariais não acompanham, por exemplo, o aumento exponencial da habitação”.

Para o responsável, a falta de casas a preços acessíveis é um fator determinante na pobreza e exige uma resposta de longo prazo. A construção das habitações necessárias, defende, deveria ter sido planeada e concretizada há vários anos.

Quanto à população sem- -abrigo, Paulo Valente da Cruz refere que os números se mantêm relativamente estáveis há cerca de cinco anos. Entre os casos sinalizados em Setúbal, cerca de 20% correspondem a cidadãos estrangeiros, 50% a pessoas residentes no distrito e os restantes a pessoas provenientes de outras regiões.