O porto de Setúbal pode vir a condicionar a sua atividade devido ao pré-aviso de greve de duas semanas anunciado esta sexta-feira. O trabalho suplementar para a empresa Sadoport deverá ser o mais afetado.
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Os trabalhadores do porto de Setúbal vão avançar com um pré-aviso de greve de duas semanas ao trabalho suplementar para a empresa sadoport, do grupo Yilport. O anúncio foi feito, hoje, pelo Sindicato dos Estivadores e Atividade Logística (SEAL), que ameaça fazer o mesmo no porto de Lisboa.
Em causa, segundo o mesmo sindicato, está o “incumprimento das atualizações salariais acordadas e pagamento de salários em prestações”, disse à agência Lusa o presidente do SEAL, António Mariano.
Ainda de acordo com o sindicalista, a empresa não está a cumprir o estabelecido no Contrato Coletivo de Trabalho (CCT), nomeadamente as disposições que garantem “uma distribuição equitativa do trabalho portuário pelos trabalhadores eventuais”.
“A greve dos trabalhadores do Porto de Setúbal conta com a solidariedade dos estivadores do Porto de Lisboa que, em plenário realizado na quinta-feira, decidiram não operar qualquer navio ou carga desviados de Setúbal para Lisboa”, acrescentou o dirigente do SEAL, adiantando que a data do início da greve deverá ser anunciada na próxima segunda-feira.
Segundo António Mariano, a Sadoport – ao contrário de todas as outras empresas de estiva de Setúbal que estão a respeitar o acordo – tem vindo a afirmar repetidamente que não pretende cumprir as referidas disposições do CCT que visam assegurar a distribuição equitativa do trabalho, apesar de ter assinado o acordo laboral, mediado pelo Ministério do Mar, na presença da então ministra Ana Paula Vitorino”.
O acordo laboral assinado em 14 de dezembro de 2018 permitiu pôr termo à paralisação do Porto de Setúbal provocada pela recusa dos estivadores eventuais em se apresentarem ao trabalho desde o dia 05 de novembro desse ano.
No final de 2018, os trabalhadores eventuais do Porto de Setúbal, alguns em situação de precariedade há mais de 20 anos, constituíam cerca de 90% da mão-de-obra disponível naquela infra-estrutura portuária.


